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Política

Campanha de Lula leva à Justiça denúncia sobre tokens ligados a Flávio Bolsonaro

Alegação é que a distribuição de criptomoedas para divulgar conteúdos do candidato pode configurar abuso econômico, propaganda irregular e compra de votos.

Campanha de Lula leva à Justiça denúncia sobre tokens ligados a Flávio Bolsonaro
Foto: reprodução

A campanha do presidente Lula protocolou na tarde desta quinta-feira (9) uma notícia de fato na Procuradoria-Geral Eleitoral e prepara uma ação de investigação judicial eleitoral contra Flávio Bolsonaro. As medidas questionam um esquema que oferece criptomoedas a pessoas que compartilham mensagens do projeto B22 e conteúdos favoráveis ao candidato do PL.

A campanha sustenta que a iniciativa pode representar uso indevido dos meios de comunicação social, abuso do poder econômico e compra de votos. Segundo o documento, as três condutas podem levar à cassação de chapa.

Em uma ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta, a campanha também pediu a retirada de conteúdos e o bloqueio do site que oferece os tokens. A argumentação afirma que houve pagamento, por terceiros e por pessoa jurídica, para a divulgação de propaganda eleitoral, o que seria vedado pela legislação.

O site foi lançado em 6 de outubro e oferece tokens a quem compartilhar mensagens sobre o B22, descrito como um projeto que combina apoio a Flávio Bolsonaro e auxílio a crianças na África. A divulgação ocorre pelo perfil hyperskidsafrica, no Instagram, que tem 12,9 milhões de seguidores e arrecada recursos para construir casas para crianças em Uganda.

Um vídeo publicado no perfil mostra crianças com camisetas amarelas com a inscrição B22 token. As crianças cantam uma música de apoio ao candidato e incentivam a compra e o compartilhamento da criptomoeda. O vídeo ultrapassou 1,2 milhão de visualizações. Segundo o site, parte das vendas seria destinada a projetos em Uganda. O site do B22 afirma que as crianças receberam 120 milhões de tokens.

A campanha de Lula também diz que o projeto explora a vulnerabilidade social das crianças para provocar comoção e arrecadar recursos para a candidatura. A notícia de fato cita o artigo 334 do Código Eleitoral, que proíbe o uso de organização comercial de vendas, distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios para propaganda ou aliciamento de eleitores. A norma prevê detenção de seis meses a um ano e cassação do registro se o responsável for candidato.

Contestação e vínculos alegados

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que adotará medidas judiciais nas áreas eleitoral, cível e criminal para derrubar o site. Também declarou desconhecer a autoria da página e negou qualquer relação com seu conteúdo ou com a venda de criptomoedas. A assessoria disse ainda que não há perfis contratados para fazer propaganda de produtos ou conteúdos e que os canais oficiais foram informados ao TSE.

O site declara que a distribuição de tokens é independente de voto, preferência eleitoral ou propaganda. Também afirma não ser oficial nem ter vínculo com político, partido, candidatura ou campanha eleitoral. Ao mesmo tempo, a divulgação promete ensinar como obter tokens ao incentivar outras pessoas a votar 22. O grupo relacionado ao projeto no Telegram usa o nome t.me/Bolsonaro22Token.

Kevim Flores, apontado como idealizador do B22, não respondeu às mensagens enviadas pelo Instagram e pelo X. Em publicações nessas plataformas, perfis associados a Flores divulgam o site, a criptomoeda, o apoio a Flávio Bolsonaro e a ajuda às crianças africanas. Em uma publicação, ele relacionou a possível valorização do ativo à eleição do candidato no segundo turno.

A campanha de Lula compara a iniciativa aos campeonatos de cortes de vídeos promovidos por Pablo Marçal na campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024. Marçal foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico nesse caso. Em dezembro de 2025, o TRE-SP manteve sua inelegibilidade por oito anos.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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