SÃO PAULO — Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam que Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, tratava o ex-banqueiro do Banco Master com intimidade e ajudava a organizar compromissos relacionados a ele. As conversas também mostram um pedido para que informações sobre Londres fossem encaminhadas à secretária do ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Polícia Federal entregou o conteúdo integral do aparelho nesta segunda-feira (14) aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Eles haviam solicitado o material para a análise prevista para esta terça-feira sobre a relação de Moraes com Vorcaro.
Encontros e contatos
Em 4 de dezembro de 2024, Vorcaro e Rodrigo tentavam marcar uma reunião no escritório do advogado, no Rio de Janeiro. O ex-banqueiro disse que só poderia comparecer às 14h. Rodrigo afirmou que alteraria outro compromisso para recebê-lo e, após confirmar o horário, escreveu: “Tapete vermelho irmão”. Vorcaro respondeu: “Valeu irmao!”.
Em fevereiro de 2025, os dois se encontraram novamente em Brasília. Rodrigo estava no STJ e, ao sair do tribunal, perguntou onde encontraria Vorcaro. Depois de uma ligação, disse que chegaria às 17h30. O banqueiro enviou o endereço de uma casa no Lago Sul.
As mensagens também registram que, em novembro de 2024, Vorcaro procurou Rodrigo para pedir ajuda em um caso. O advogado respondeu que teria prazer em ajudar. Eles marcaram uma videoconferência e, depois, Vorcaro encaminhou um documento para análise.
Em 17 de maio de 2024, Rodrigo iniciou uma conversa chamando Vorcaro de “irmão”. Em outro contato, no mesmo ano, escreveu novamente o termo ao avisar que estava disponível para uma chamada.
Referências ao ministro
Em 25 de fevereiro de 2025, Rodrigo perguntou a Vorcaro se ele estava informado sobre um encontro marcado para aquele dia. As mensagens não identificam os participantes e, isoladamente, não permitem afirmar que Luiz Fux estivesse envolvido.
A ligação direta com o ministro aparece em março. No dia 11, Rodrigo tentou marcar uma reunião em Brasília, mencionou que precisava alinhar questões e disse que passaria antes pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. Como Vorcaro estava em São Paulo aguardando um voo, o encontro foi adiado para a manhã seguinte.
No dia 12 de março, Rodrigo confirmou que chegaria às 10h30. Mais tarde, perguntou qual era a data de Londres e pediu que o material fosse enviado a ele e a Patrícia, secretária de seu pai, com cópia para o próprio advogado. O endereço informado tinha domínio institucional do STF.
O Fux Advogados declarou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo. A banca afirmou que houve apenas uma tentativa de aproximação comercial, sem resultado, mais de um ano antes das notícias sobre suspeitas de fraudes e implicações criminais envolvendo o banqueiro. A assessoria do STF não respondeu até o momento.


