CAPITAL FEDERAL — A escolha para cargos do Legislativo é a que mais costuma ficar pendente na semana final antes das eleições de 2026. Pesquisas citadas por especialistas mostram que Senado e Câmara recebem decisões mais tardias do que a Presidência da República.
No levantamento da Quaest divulgado em agosto deste ano, 32% dos eleitores disseram escolher o candidato ao Senado na última semana antes da votação. Dentro desse grupo, 14% afirmaram que decidem apenas no dia da eleição. Para presidente, 20% fazem a escolha na última semana e 10% deixam a definição para o dia do pleito.
O padrão também apareceu em uma pesquisa Datafolha realizada após o primeiro turno de 2022. Na ocasião, 17% dos entrevistados afirmaram ter definido o voto para o Senado no dia da eleição, enquanto 18% disseram ter escolhido o candidato à Câmara dos Deputados na mesma data. Para presidente, 81% declararam ter tomado a decisão pelo menos um mês antes.
Volume de escolhas e informações
O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), relaciona o adiamento à quantidade de decisões exigidas do eleitor. No primeiro turno, são seis votos: deputado federal, deputado distrital, dois senadores, governador e presidente da República.
“São seis votos, centenas de candidatos, cargos muito diferentes entre si e uma quantidade enorme de informações para assimilar em poucas semanas”, afirma Medeiros. Segundo ele, a disputa presidencial recebe mais atenção, enquanto a escolha para o Legislativo pode ser mais difícil quando há menos informações sobre os candidatos.
A confeiteira Savina Sampaio ainda não havia escolhido nenhum candidato e afirmou que pretendia usar a última semana para analisar propostas, trajetórias e intenções. O aposentado Gilmar Mendes de Aguiar disse ter uma dúvida pequena, mas ainda não havia definido o voto para dois cargos, entre eles deputado federal.
A estudante de psicologia Giovanna ainda precisava decidir os votos para deputado federal e distrital. A fotógrafa Ranyellen Bravo, por sua vez, não havia definido três dos seis votos e pretendia pesquisar mais antes de concluir a colinha.
Participação e decisão de última hora
Para o cientista político Leonardo Barreto, especialista em comportamento eleitoral, o desinteresse pela política ajuda a explicar o adiamento. Ele afirma que pessoas menos interessadas não costumam buscar espontaneamente informações sobre deputados e senadores, que precisam chegar a esse grupo.
Barreto também aponta que eleitores podem recorrer a familiares e amigos quando não conseguem decidir sozinhos. “Essas decisões normalmente são tomadas em conversas com familiares e amigos, em ambientes de confiança”, diz.
Medeiros avalia que comparar propostas, trajetórias e posições se torna mais difícil conforme aumenta o número de candidatos. Ele também considera que diferenciar as atribuições de deputado federal, deputado distrital e senador pode ser um desafio, mas que conhecer essas funções ajuda no voto e na cobrança dos eleitos.
A votação do primeiro turno será em 4 de outubro, das 8h às 17h, no horário de Brasília. Se houver segundo turno, ele ocorrerá em 25 de outubro, no mesmo horário. O voto é obrigatório para pessoas de 18 a 69 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos e idosos com 70 anos ou mais.
É permitido levar uma anotação em papel com os números dos candidatos para consulta na cabine. Para Barreto, chegar à última semana sem definir todos os votos não significa abandonar a eleição: ainda é possível buscar informações, conversar com pessoas de confiança e decidir no momento final. Ele diferencia essa situação do afastamento deliberado do processo eleitoral.


