BRASÍLIA — A autorização para visitar Jair Bolsonaro marcou a participação de Flávio Bolsonaro em uma missa nesta segunda-feira (12), na Catedral de Brasília, durante as celebrações de Nossa Senhora Aparecida. O senador afirmou que voltou a encontrar o pai depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, liberar a visita. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
"Estou muito feliz que o Dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que eu estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça", disse Flávio após a cerimônia.
O presidente Lula acompanhou uma missa na capela do Palácio da Alvorada, sua residência oficial. Ele estava com a primeira-dama Janja, o governador do Piauí, Rafael Fontelles, e o senador Camilo Santana. Lula afirmou que a celebração também expressava uma defesa do respeito entre diferentes religiões: "cada um segue a religião que quiser e todos nós temos que respeitar".
A presença dos dois políticos nas celebrações ocorreu depois de uma controvérsia eleitoral envolvendo o eleitorado católico. Flávio, que é evangélico, havia declarado que, se eleito, teria entre seus primeiros atos a decisão de que o Brasil seria do Senhor Jesus Cristo. A fala foi relacionada à circulação de uma informação falsa segundo a qual ele pretendia retirar Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil.
Flávio negou a existência da proposta e disse que a acusação era uma mentira. Um projeto com esse objetivo havia sido apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), mas foi arquivado no ano seguinte. Durante o primeiro turno, Flávio acusou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de colaborar com a disseminação da informação e depois recuou.
Na missa em Brasília, ele foi acompanhado da mulher, Fernanda, do vice Alfredo Gaspar, da conselheira econômica Daniella Marques e dos parlamentares Bia Kicis, Izalci Lucas e Simone Marquetto. O padre Agenor Vieira os mencionou durante a homilia e afirmou que Flávio era bem-vindo. O senador rezou o Pai-Nosso, mas não o Credo. Ao deixar a igreja, disse que o ambiente havia sido acolhedor e declarou respeitar a fé de milhões de brasileiros.
O vice-presidente Geraldo Alckmin participou de uma missa solene na Basílica de Aparecida, no interior de São Paulo. Estava com a mulher, Lu, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a deputada federal reeleita Tabata Amaral, o marido dela, João Campos, e Gilberto Kassab.
Alckmin não comentou diretamente a controvérsia. Ele defendeu a liberdade religiosa e afirmou que cada pessoa deve respeitar a religião dos outros, inclusive quem não tem religião. Depois da missa, visitou uma carreta da Saúde da Mulher, do SUS, instalada no estacionamento da Basílica, ao lado de Padilha.


