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Política

PSOL busca na Justiça votos para recuperar direitos partidários

Partido não atingiu a cláusula de barreira e tenta recontagem no Espírito Santo, enquanto especialistas apontam falhas na distribuição de votos e recursos.

PSOL busca na Justiça votos para recuperar direitos partidários
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O PSOL recorreu à Justiça para tentar recuperar o acesso ao Fundo Partidário e ao horário gratuito de rádio e televisão. A estratégia depende de uma eventual retotalização dos votos no Espírito Santo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde a federação ficou a 185 votos do mínimo estadual exigido.

A federação alcançou o percentual nacional necessário, mas cumpriu o requisito estadual em apenas oito estados. Para superar a cláusula de barreira, é preciso eleger 13 deputados distribuídos por nove estados ou obter 2,5% dos votos para a Câmara em nove estados, com pelo menos 1,5% em cada unidade.

Em nota, o PSOL contestou o resultado e afirmou: “Vamos lutar para provar na Justiça que algumas dezenas de votos não são justificáveis para retirar os direitos de funcionamento de dois dos principais partidos da política brasileira”. O argumento apresentado sobre o Espírito Santo envolve suspeitas de candidaturas laranjas.

Votos concentrados e poucas cadeiras

A dificuldade do partido apareceu apesar do desempenho de candidatos como Erika Hilton e Sâmia Bomfim, em São Paulo, e Jones Manoel, em Pernambuco. A concentração de votos nessas candidaturas não foi suficiente para eleger outros nomes da legenda, que não alcançaram a votação mínima necessária.

Em São Paulo, Erika Hilton recebeu mais de 1,5 milhão de votos, enquanto Sâmia Bomfim superou 500 mil. Esse resultado seria suficiente para garantir nove cadeiras ao PSOL, mas a legenda conseguiu preencher seis. Sâmia atribuiu parte do desafio à dificuldade de prever o desempenho de candidaturas que não dependem de estruturas territoriais ou de máquinas políticas. “É muito difícil calcular quantos votos um candidato terá quando não é eleição por máquina, território ou aparato”, disse.

No Distrito Federal, Fábio Felix foi o candidato mais votado para a Câmara, mas não elegeu colegas de partido. O professor de ciência política da UnB Frederico Bertholini avaliou que o resultado foi uma vitória individual, mas também indicou a necessidade de planejamento partidário.

O quociente eleitoral, que determina o número de votos necessário para a legenda conquistar cadeiras, foi confundido por apoiadores de Felix com a votação individual exigida para a eleição. Em um vídeo, o então candidato mencionou a estimativa de mais de 150 mil votos.

Recursos e organização eleitoral

A distribuição dos recursos também ajuda a explicar o resultado. Em Brasília, Fábio Felix recebeu quase R$ 2,3 milhões para sua campanha, com mais de 90% provenientes das direções nacional e estadual do PSOL. Enfermeira Karine, segunda candidata mais votada da coligação, recebeu cerca de R$ 340 mil e teve 4,3 mil votos.

O diretor de marketing Fabio Eloi afirmou que partidos concentraram investimentos nos chamados puxadores de votos, supondo que os demais candidatos alcançariam o patamar necessário para ampliar a bancada. Segundo ele, essa expectativa não se confirmou.

Eloi também apontou o peso das redes sociais, especialmente entre candidatos com público consolidado e domínio da linguagem dessas plataformas. Na avaliação dele, o PSOL investe pouco em nomes de menor expressão, enquanto o PT enfrenta dificuldades de comunicação associadas ao envelhecimento de seus partidários.

A comparação com o Partido Liberal foi usada pelo professor Frederico Bertholini para destacar uma organização eleitoral mais eficiente. Em Minas Gerais, os votos de Nikolas Ferreira contribuíram para que o PL conquistasse 21 vagas, inclusive com a eleição de candidatos que não tiveram votação expressiva. Nesse caso, os demais nomes ainda alcançaram o mínimo necessário para participar da distribuição de cadeiras.

Federação como alternativa

Uma possibilidade discutida por especialistas é a formação de uma federação com partidos aliados, como o PT. O PSOL rejeitou essa alternativa em março para preservar a independência da sigla. Pela regra, as legendas federadas atuam como uma só por, no mínimo, quatro anos, somando seus desempenhos nas eleições e no Congresso Nacional para a distribuição de recursos e cadeiras.

No Distrito Federal, uma federação ampliada somaria 476.592 votos. O cálculo manteria as eleições de Fábio Felix e Agnelo Queiroz e acrescentaria uma vaga, por média, para Reginaldo Veras.

Em São Paulo, a união poderia acrescentar duas cadeiras à federação. Paulo Teixeira e Reis, ambos do PT, substituiriam Maria Rosas e Carlos Bezerra Jr. Outra mudança ocorreria dentro da própria federação: Rui Falcão ocuparia a vaga de Sônia Guajajara, sem alteração no total de cadeiras do bloco.

A federação também poderia ajudar o PSOL a cumprir a cláusula de barreira, que exige representação em pelo menos nove unidades da federação. O partido, porém, optou por disputar a eleição sem esse arranjo e agora tenta reverter judicialmente o resultado no Espírito Santo.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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