A SpaceX pode passar a reservar parte significativa de seus foguetes para projetos próprios, abrindo espaço para concorrentes no mercado de lançamentos orbitais. A empresa pretende substituir gradualmente o Falcon 9 pelo Starship, veículo maior e totalmente reutilizável que ainda está em desenvolvimento.
O Falcon 9 transportou centenas de satélites em 2025, em missões exclusivas e em voos de compartilhamento, nos quais vários clientes usam o mesmo foguete. A SpaceX realizou 43 lançamentos para clientes externos no período. Sua principal concorrente no segmento comercial, a Rocket Lab, fez 18 voos, mas o Electron tem menos de 2% da capacidade de carga útil do Falcon 9.
A transição pode reduzir a oferta disponível para operadores de satélites. A SpaceX fabrica e opera a constelação Starlink, que já tem mais de 11 mil satélites ativos em órbita. O Starship também é considerado essencial para a expansão da Starlink e para o lançamento dos muitos milhares de satélites de centros de dados da “Starmind”, planejados para os negócios de inteligência artificial da empresa.
O mercado não tem uma data definida para a aposentadoria do Falcon 9. Em 28 de setembro, porém, um teste do Starship colocou pela primeira vez em órbita satélites de banda larga Starlink. A previsão é que 2026 seja o primeiro ano de queda no número de voos do Falcon 9. Simon Potter, da BryceTech, afirmou que a expectativa no setor é de que não seja possível comprar um lançamento do foguete depois de 2028.
A possibilidade de a SpaceX direcionar sua capacidade para uso próprio já atraiu potenciais clientes para outras empresas. Giulio Ranzo, executivo-chefe da Avio, disse em 10 de setembro: “Temos uma série de clientes vindo até nós”. A companhia italiana fabrica o Vega-C, foguete de porte relativamente pequeno.
Entre as empresas que podem disputar essa demanda estão a Rocket Lab, com o Neutron, cujo primeiro voo está previsto para o fim deste ano ou o início do próximo; a Relativity Space, que desenvolve o Terran R; e a Blue Origin, de Jeff Bezos. Também são citadas a Firefly Aerospace e a Isar Aerospace, que alcançou a órbita pela primeira vez em 5 de setembro.
A Rocket Lab planeja um veículo com capacidade superior à metade da do Falcon 9. Já o Terran R terá dimensões semelhantes às do foguete da SpaceX. A Blue Origin sofreu um revés em maio, quando a explosão de um foguete destruiu sua única plataforma de lançamento.
A possível retirada do Falcon 9 também afetaria a operação da espaçonave Dragon. Nesse cenário, a Boeing seria a única empresa capaz de transportar astronautas até a Estação Espacial Internacional, usando a cápsula Starliner. Em 28 de setembro, a Nasa anunciou dois novos voos da Boeing e um pagamento adicional para auxiliar na correção de problemas nos propulsores de manobra da nave.
A SpaceX registrou receita de US$ 12,5 bilhões nos seis meses encerrados em 30 de junho, mas os lançamentos representaram 8% desse total. O restante veio da Starlink e dos negócios de inteligência artificial. Para Caleb Henry, da Quilty Space, a possível escassez de foguetes se tornou o principal tema de uma conferência realizada em Paris em meados de setembro.


