Os preços do petróleo subiram quase US$ 2 por barril nesta segunda-feira (12), depois de ataques atribuídos aos houthis contra a Arábia Saudita ampliarem os temores sobre a oferta no Oriente Médio. A alta ocorreu apesar da expectativa de mais exportações de diesel russo e do anúncio de um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia envolvendo a infraestrutura energética.
O Brent encerrou o pregão a US$ 106,65 por barril, avanço de US$ 1,93, ou 1,8%. O valor foi o maior desde 15 de setembro. Nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 93,74, com alta de US$ 1,89, ou 2%.
Os houthis, grupo alinhado ao Irã, assumiram a responsabilidade por um ataque realizado no sábado contra o aeroporto internacional de Riad. A ofensiva matou 13 pessoas e deixou mais de 300 feridos. Novos ataques ocorreram no domingo, aumentando a preocupação com a produção e o transporte de petróleo de um dos maiores produtores mundiais.
O investidor e analista Louis Navellier afirmou que o ataque deve intensificar a retaliação contra os houthis no Iêmen. Segundo ele, as refinarias sauditas continuavam operando, mas cinco foram fechadas temporariamente depois que um oleoduto para o Mar Vermelho foi interditado.
Também foram registrados ataques contra petroleiros no estreito de Hormuz. Um navio-tanque foi atingido por um drone perto de Sohar, em Omã, enquanto outro sofreu danos durante a travessia do estreito, informou a United Kingdom Maritime Trade Operations. Para Bjarne Schieldrop, analista de commodities da SEB, os episódios interromperam a percepção de normalidade nas exportações pela região.
O Goldman Sachs elevou de US$ 85 para US$ 90 por barril sua previsão para o Brent em dezembro e estimou um prêmio de risco de pouco mais de US$ 20 por barril. A instituição projetou que o WTI permaneça abaixo do Brent, com média de US$ 81 em dezembro de 2026 e US$ 73 em 2027, devido aos custos de transporte entre os Estados Unidos e a Europa.
No Golfo do México, Shell, Chevron e BP buscavam redistribuir pessoal e retomar a produção em plataformas atingidas pelo furacão Isaías, que chegou à terra no início do sábado.
O diesel também reagiu aos anúncios sobre as exportações russas. Os futuros de gasóleo ICE caíram 2,3%, para US$ 1.449 por tonelada métrica, após Donald Trump dizer que a Rússia forneceria imediatamente mais de 300 mil toneladas métricas, equivalentes a 2,25 milhões de barris, aos mercados norte-americano e global.
A Rússia suspendeu parcialmente a proibição de exportação de diesel e autorizou a liberação de 500 mil toneladas, cerca de 3,7 milhões de barris, no mercado internacional. Trump também anunciou no domingo um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia sobre a infraestrutura energética. Volodymyr Zelenskiy acusou a Rússia de violá-lo na segunda-feira, enquanto Moscou não se pronunciou.
Fatih Birol, da Agência Internacional de Energia, disse que os países devem avaliar novas liberações de diesel e acelerar os volumes já prometidos.


