A compra de diesel da Rússia anunciada por Donald Trump provocou oposição entre senadores republicanos e democratas. Sete parlamentares pediram que o presidente abandone o acordo com Vladimir Putin e afirmaram que a medida contraria a legislação americana.
O grupo é formado pelos democratas Jeanne Shaheen, Richard Blumenthal e Ron Wyden e pelos republicanos Susan Collins, John Curtis, Lisa Murkowski e Thom Tillis. O comunicado foi liderado por Shaheen, principal democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Os senadores afirmaram que o Congresso proibiu as importações de energia russa em 2022 e que Trump não consultou os parlamentares antes de fechar o entendimento. Para eles, a compra pode direcionar recursos americanos ao governo de Putin. “O Congresso proibiu explicitamente as importações de energia da Rússia em 2022 para impedir que dólares americanos financiassem a guerra brutal de Putin contra a Ucrânia”, disseram.
Trump anunciou o acordo na sexta-feira (9), depois de descrever sua conversa com Putin como uma discussão bem-sucedida. O presidente disse que a iniciativa reduziria os preços dos combustíveis para os americanos, com destaque para agricultores, pecuaristas e caminhoneiros.
Analistas do setor questionaram se a chegada do combustível russo teria efeito relevante para os consumidores dos Estados Unidos. O diesel atingiu preços recordes nos meses seguintes ao início da guerra de Trump contra o Irã, que restringiu as exportações de petróleo da principal região produtora mundial.
A alta dos combustíveis e da inflação afetou os índices de aprovação de Trump e ameaça o controle republicano do Congresso nas eleições de meio de mandato de novembro. Collins, Murkowski e Tillis já haviam criticado a proximidade demonstrada pelo presidente em relação a Putin e sua postura diante da Ucrânia.
A reação também apareceu no programa de debates Fox & Friends. O apresentador Brian Kilmeade afirmou que trabalhar com a Rússia seria o maior erro do governo Trump e comparou Putin a Hitler. O senador republicano John Cornyn reproduziu a declaração na rede X, antiga Twitter, e escreveu “Bravo”.


