São Paulo, Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
Notícia com critério
Internacional

Isenção dos EUA para diesel russo amplia tensão entre Trump e Zelensky

Presidente ucraniano afirma que a medida fortalece Moscou, enquanto especialistas calculam efeito limitado sobre os preços dos combustíveis.

Isenção dos EUA para diesel russo amplia tensão entre Trump e Zelensky
Foto: Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS, Reuters e Genya Savilov/AFP

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos autorizou temporariamente a venda, o fornecimento, o descarregamento e a importação de diesel russo até 7 de abril de 2027. A decisão ocorreu após um acordo anunciado por Donald Trump e Vladimir Putin para ampliar o envio do combustível aos mercados americano e global.

Volodymyr Zelensky criticou a medida e afirmou que a flexibilização das sanções transmite uma mensagem de fraqueza a Moscou. O presidente da Ucrânia disse ainda que a Rússia poderá interpretar a decisão como um sinal de que Washington a levará menos a sério.

Críticas de Zelensky

Em uma publicação no Telegram, Zelensky escreveu: "Permitir que a Rússia venda derivados de petróleo é um investimento na guerra, que deve ser encerrada, e não prolongada". Ele também advertiu que o Kremlin poderia responder com mais ataques contra a Ucrânia.

Em entrevista, o presidente classificou o entendimento como injusto e desonesto. Sua crítica incluiu o fato de Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados de Trump, negociarem com autoridades ucranianas em Miami sobre um possível encerramento da guerra enquanto o acordo com Putin era articulado. Zelensky afirmou que o fornecimento de diesel não foi mencionado nessas conversas.

O presidente ucraniano reiterou que Kiev estaria disposta a interromper ataques contra refinarias russas se Moscou suspendesse os bombardeios a instalações de energia da Ucrânia. Segundo ele, a proposta foi apresentada aos Estados Unidos e poderia ser viabilizada pela capacidade americana de alcançar esse compromisso.

Trump defendeu o acordo ao responder às críticas. "Precisamos de petróleo para o mundo, e isto é diesel – que é do que precisamos –, então estamos muito satisfeitos em obtê-lo", disse.

Volumes e pressão sobre os preços

Putin teria concordado em fornecer imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel. O plano prevê outras 500 mil em novembro e 1 milhão de toneladas logo depois. Também existe a possibilidade de entrega de 3 milhões de toneladas em um curto período, condicionada à capacidade operacional das refinarias russas.

O Kremlin confirmou o entendimento e declarou que a Rússia estava pronta para fornecer petróleo e derivados a qualquer mercado. A iniciativa representa uma mudança na política dos Estados Unidos, que haviam proibido a importação de petróleo russo desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O preço do diesel atingiu recordes nos Estados Unidos e na Europa nas últimas semanas. A alta elevou os custos de transporte e pressionou preços de alimentos, especialmente produtos perecíveis que dependem de reposição frequente ou de máquinas agrícolas movidas a diesel.

A alta dos combustíveis aumentou a pressão sobre Trump e o Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Uma pesquisa da AP-NORC indicou que 26% dos adultos americanos aprovavam a condução da economia por Trump, contra 32% em julho. A aprovação sobre a gestão do custo de vida era de 17%.

Especialistas veem efeito limitado

Pesquisadores de política energética consideram improvável que o acordo provoque uma queda significativa nos preços para consumidores nos Estados Unidos ou em outros mercados. Michael Lynch, da Energy Policy Research Foundation, afirmou que o diesel russo apenas poderia deslocar fornecedores e compradores entre diferentes regiões, sem alterar de forma relevante o preço global.

Segundo Lynch, uma redução pequena poderia ocorrer em áreas como Nova York-Nova Jersey ou Filadélfia, mas o efeito seria localizado. Daniel Sternoff, do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia, avaliou que a retomada das exportações russas poderia ajudar a estabilizar os preços, embora eles provavelmente permanecessem elevados.

Clayton Seigle, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse que o acordo talvez beneficie a Rússia. Moscou busca liberar estoques de diesel de especificação de verão para abrir espaço aos tipos mais densos, necessários nos meses seguintes para o inverno e as condições árticas.

A divulgação do pacto também desviou a atenção das negociações realizadas em Miami por autoridades dos Estados Unidos, da Ucrânia e da Europa. Steve Witkoff afirmou que os encontros trataram de caminhos para reduzir a tensão, encerrar a guerra antes do inverno no Hemisfério Norte, reforçar a segurança energética e discutir a reconstrução da Ucrânia e sua possível adesão à União Europeia.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.