SÃO PAULO — A Justiça italiana recebeu novas informações do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a saúde de Carla Zambelli e o tratamento que ela teria no sistema prisional do Brasil. Os dados foram solicitados antes da análise do pedido de extradição da ex-deputada, que terá nova audiência em 29 de outubro.
A Corte italiana não acolheu a alegação da defesa de que Zambelli seria alvo de perseguição política. A análise marcada para o fim de outubro também não discutirá se ela é culpada ou inocente, nem modificará a condenação determinada pela Justiça brasileira.
No procedimento, cabe à Justiça italiana verificar se o pedido de entrega atende às exigências da legislação e dos tratados internacionais. Entre as informações solicitadas estão dados sobre quadros de fibromialgia e episódios de desmaio, além das condições que seriam oferecidas à ex-deputada no sistema prisional brasileiro.
A condenação está relacionada ao episódio em que Zambelli perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, depois de uma discussão política. O caso ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
Outro processo analisado na Itália
Em maio, a Corte Suprema de Cassação da Itália rejeitou a extradição de Zambelli em um caso diferente. O processo envolvia a condenação a 10 anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na decisão, a Corte de Cassação apontou “diversos elementos” que, segundo os magistrados, poderiam gerar dúvidas sobre a imparcialidade objetiva do Supremo Tribunal Federal, responsável pela condenação de Carla Zambelli.
A avaliação citou a atuação de Alexandre de Moraes em diferentes funções durante o processo. Conforme os magistrados, ele participou do colegiado julgador e também foi considerado prejudicado por um dos crimes atribuídos à ex-deputada.


