SÃO PAULO — Ricardo Salles (Novo) retirou sua candidatura ao Senado em 2026 e passou a apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (28), em manifestação ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.
O movimento ocorreu depois de meses de críticas de Salles a Prado. O candidato do Novo dizia que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo não representava de fato a direita e o chamava de “filhote de Valdemar [da Costa Neto]”, em referência ao presidente nacional do PL.
Em maio, Salles havia afirmado não existir “a menor hipótese de alguém decente apoiar o André do Prado”. Em julho, também rejeitou a possibilidade de deixar a disputa para concorrer a deputado federal. Na ocasião, disse ter sido aconselhado a desistir porque havia três nomes da direita para duas cadeiras ao Senado, mas respondeu que pretendia resistir.
Mudança de posição
Ao anunciar a retirada, Salles declarou apoio a Prado e Derrite. Também afirmou que “o momento é tão grave que diferenças têm que ser deixadas de lado” e disse que uma eventual reeleição de Lula seria “uma catástrofe”.
No levantamento mais recente citado, Derrite e Prado aparecem com 12% das intenções de voto. O percentual os coloca em empate técnico com Marina Silva (Rede), que tem 15%, e Simone Tebet (PSB), com 14%. Salles registra 4%. Divulgada na quinta-feira (24), a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
As divergências entre Salles e Prado também estiveram presentes em debate realizado no dia 21 de setembro. Depois do encontro, Prado disse que a candidatura do adversário atrapalhava a direita e que o voto em Salles ajudaria Tebet e Marina Silva.
Prado chamou Salles de ingrato e afirmou que as acusações contra ele estavam relacionadas ao fato de o ex-ministro não ter sido escolhido por Tarcísio e pela família Bolsonaro para a disputa ao Senado. Em agosto, declarou que sempre foi de direita e conservador.
Derrite, por outro lado, era poupado das críticas de Salles. Em 21 de setembro, afirmou que votaria em Salles “um milhão de vezes” se não tivesse compromisso com o grupo político ao qual pertence.


