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Saúde

Ferramenta do A.C.Camargo combina dados para prever hipocalcemia após tireoidectomia

Modelo foi criado com prontuários de 7.066 pacientes e testado em 149 pessoas submetidas à retirada total da tireoide.

Ferramenta do A.C.Camargo combina dados para prever hipocalcemia após tireoidectomia
Foto: Courtney Haas/Adobe Stock

Uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida no A.C.Camargo Cancer Center combina informações clínicas, cirúrgicas e pós-operatórias para estimar o risco de hipocalcemia transitória depois da retirada total da tireoide. O sistema foi construído com dados de 7.066 pacientes atendidos entre 2014 e 2024 e passou por uma etapa de validação com 149 novos pacientes.

Na avaliação prática, 31 pessoas desenvolveram a complicação. A tecnologia apresentou alta capacidade de diferenciar os pacientes com maior ou menor probabilidade de apresentar queda temporária do cálcio no sangue.

Como o modelo calcula o risco

A hipocalcemia pode atingir de 15% a 40% dos pacientes submetidos à tireoidectomia total, conforme o tipo de cirurgia. A condição está relacionada à manipulação das paratireoides, pequenas glândulas que ajudam a controlar o cálcio por meio da produção do hormônio PTH.

Quando a função dessas glândulas é prejudicada temporariamente, o organismo pode ter dificuldade para manter níveis adequados de cálcio. Cãibras e formigamentos são sintomas frequentes. Também podem ocorrer náuseas, vômitos e, em situações mais graves, alterações cardíacas.

Atualmente, uma das principais formas de avaliar o risco é medir o PTH depois da cirurgia. O resultado, porém, não resolve todos os casos. Cerca de 30% dos pacientes podem apresentar PTH baixo sem desenvolver sintomas depois. Se todos receberem cálcio e vitamina D preventivamente, parte deles será submetida a um tratamento desnecessário. Se quem realmente terá hipocalcemia não for tratado, poderá passar mal após a alta e precisar procurar um pronto-socorro.

O modelo usa diferentes informações da trajetória do paciente, em vez de considerar apenas um exame. Entre os dados que contribuíram para a previsão estão o PTH baixo, a realização de esvaziamento cervical bilateral e a duração da cirurgia. O horário do procedimento e a carga de trabalho do cirurgião também apareceram associados ao risco.

Os pesquisadores destacam que essas associações não comprovam que os fatores sejam causas da hipocalcemia. Eles podem refletir outras características, como a complexidade de determinados procedimentos.

Apoio à decisão médica

O estudo foi financiado pela Fapesp e publicado em maio na revista Scientific Reports. A ferramenta foi desenvolvida com dados retrospectivos de pacientes submetidos à retirada total da tireoide no A.C.Camargo e depois testada com casos reais da própria instituição.

O sistema também utiliza inteligência artificial explicável. Além de indicar se o risco é maior ou menor, ele mostra quais informações tiveram maior peso na estimativa. Para Israel Tojal da Silva, cientista da computação, coordenador do Laboratório de Bioinformática do A.C.Camargo e autor sênior do artigo, o aprendizado de máquina permite integrar o PTH a outras variáveis e acompanhar como a previsão melhora com a entrada de novos dados.

A plataforma web foi criada para que médicos insiram as informações do paciente e recebam uma estimativa individualizada. A proposta não é substituir exames nem determinar o tratamento de forma autônoma. O objetivo é auxiliar principalmente nos casos em que o paciente está sem sintomas, mas apresenta alteração no exame.

“É uma condição potencialmente grave, que piora muito a experiência do paciente, aumenta o tempo de internação, a necessidade de medicamentos e os custos do tratamento”, afirma Genival Barbosa Carvalho, cirurgião de cabeça e pescoço do A.C.Camargo e um dos autores do estudo.

O próximo estágio será testar o sistema em outros hospitais. Como os pacientes usados no desenvolvimento foram atendidos na mesma instituição, os pesquisadores consideram necessário avaliar a ferramenta em outra série para verificar a possibilidade de ampliar seus resultados. O software teve pedido de patente depositado, e Carvalho afirma que a intenção é disponibilizá-lo gratuitamente a instituições interessadas depois dessa etapa.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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