São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
Notícia com critério
Saúde

Estudo de línguas pode ampliar a reserva cognitiva ao longo da vida

Pesquisas associam o bilinguismo e o aprendizado de idiomas a mudanças cerebrais e possível resiliência diante do envelhecimento.

Estudo de línguas pode ampliar a reserva cognitiva ao longo da vida
Foto: Chika Milan/Adobe Stock

A capacidade de aprender novas línguas permanece durante toda a vida, embora crianças e adultos recorram a habilidades diferentes nesse processo. Essa possibilidade tem sido estudada por pesquisadores interessados em formas de preservar a função cognitiva durante o envelhecimento.

A aquisição de um idioma envolve memorizar palavras, distinguir sons, identificar padrões, compreender regras gramaticais e escolher expressões enquanto a pessoa escuta, interpreta e prepara uma resposta. O esforço exige assimilar e recuperar informações, reconhecer erros e adaptar estratégias.

O que muda no cérebro

O cérebro continua se modificando em resposta às experiências. Essa capacidade de adaptação é chamada de neuroplasticidade. No aprendizado de idiomas, a formação e o fortalecimento de conexões ocorrem à medida que a pessoa entra em contato com sons, palavras e estruturas gramaticais desconhecidos.

Pesquisas sobre bilinguismo encontraram diferenças na substância cinzenta, que reúne neurônios e suas conexões, e na substância branca, formada principalmente por fibras nervosas que conectam diferentes regiões cerebrais. Pessoas bilíngues apresentaram maior densidade de substância cinzenta ou melhor integridade da substância branca em comparação com pessoas que falam apenas um idioma.

Esses resultados sugerem que a experiência com línguas pode estar relacionada tanto à estrutura quanto ao funcionamento do cérebro. As diferenças observadas, porém, não explicam sozinhas a relação entre linguagem e envelhecimento.

Reserva cognitiva

A reserva cognitiva é a capacidade de manter a função mental mesmo diante de alterações ou danos cerebrais associados à idade. Administrar dois idiomas impõe demandas contínuas à atenção e ao controle cognitivo e pode contribuir para o fortalecimento dessa reserva.

Alguns estudos observaram que pessoas bilíngues que desenvolvem demência manifestam sintomas mais tarde do que aquelas que falam apenas um idioma. O resultado indica uma possível proteção contra os efeitos do envelhecimento cerebral, mas não demonstra que o bilinguismo impeça a demência ou as alterações cerebrais ligadas à doença.

O possível ganho, portanto, estaria na resiliência diante dessas mudanças, e não na eliminação da causa subjacente.

Aprendizado na idade adulta

A idade influencia a forma como uma língua é aprendida, mas não elimina a possibilidade de adquirir novos conhecimentos. Crianças tendem a levar vantagem na pronúncia e em alguns aspectos da gramática. Adultos, por sua vez, contam com vocabulário mais amplo e estratégias de aprendizagem mais desenvolvidas.

Pesquisas com adultos mais velhos apontam possíveis benefícios cognitivos, embora os resultados não sejam uniformes. O efeito pode depender menos do nível de fluência do que da própria atividade de aprender, praticar e ajustar o desempenho continuamente.

O aprendizado também pode ampliar a compreensão cultural, favorecer a comunicação, estimular a empatia e aproximar pessoas de diferentes origens linguísticas e culturais. Não há uma quantidade definida de estudo capaz de garantir esses efeitos. As pesquisas analisaram desde cursos intensivos até sessões breves com aplicativos, realizadas por períodos que foram de semanas a meses.

Assim, aprender um idioma não deve ser visto como cura ou garantia de proteção contra a doença de Alzheimer e outras formas de demência. A atividade pode ser entendida como um exercício mental complexo, capaz de manter a pessoa envolvida em uma tarefa nova e desafiadora e de favorecer a resiliência cognitiva — a capacidade de continuar aprendendo, adaptando-se e funcionando apesar das mudanças relacionadas à idade.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.