Uma revisão conduzida pela Universidade de Cambridge relacionou a exposição prolongada à poluição do ar a um aumento na incidência de Parkinson. Publicada no Environment International, a análise reuniu 42 estudos e apontou uma associação entre níveis mais altos de material particulado fino, o PM2.5, e uma elevação de 10% a 18% nos casos da doença.
O resultado não estabelece que a poluição cause Parkinson. O neurologista Rubens Cury, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que a pesquisa reforça uma relação observada em locais com maior poluição, mas ressaltou que os dados indicam apenas associação, sem demonstrar causa e efeito.
Exposição e predisposição
O PM2.5 é composto por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Elas podem ser encontradas na poeira, na fuligem e no fumo, além de serem produzidas por veículos, indústrias e incêndios. Por serem muito pequenas, conseguem penetrar profundamente nos pulmões.
Uma possível explicação para a associação é que essas partículas provoquem inflamação nos pulmões e alcancem a circulação, desencadeando uma resposta inflamatória no organismo. Segundo Cury, esse processo poderia acelerar, em pessoas geneticamente suscetíveis, o depósito da proteína alfa-sinucleína, relacionado ao desenvolvimento da doença. A exposição, porém, não significa que todas as pessoas em regiões poluídas terão Parkinson.
A doença é neurodegenerativa e progressiva. Ela afeta principalmente os movimentos e pode provocar tremor, rigidez muscular, lentidão e alterações no equilíbrio. O quadro está ligado à perda de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor envolvido no controle motor.
Múltiplos fatores
A origem do Parkinson envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Além da poluição, estão associados à doença os agrotóxicos, os solventes e outros elementos. Trauma craniano, exposição a certos pesticidas e diabetes tipo 2 também podem elevar o risco.
A hipótese de uma ligação com a poluição é antiga. O Parkinson foi descrito em 1817, na Inglaterra, e passou a ser estudado no período da Revolução Industrial. Na década de 1950, houve aumento dos casos em países mais industrializados, como os Estados Unidos.
Os pesquisadores consideram relevantes os fatores de risco modificáveis. Cury afirmou que a prática de atividade física aeróbica de moderada a alta intensidade e uma alimentação baseada na dieta mediterrânea podem contribuir para reduzir o risco. Essa dieta prioriza vegetais, legumes, oleaginosas, azeite de oliva, frutas vermelhas e frutas cítricas com flavonoides.


