A transfusão de sangue total continua proibida pelas Testemunhas de Jeová, mas a organização passou a deixar para cada fiel a decisão sobre o uso médico de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma e plaquetas. A mudança foi anunciada na última sexta-feira (18), em um boletim do Corpo Governante.
A nova orientação também permite que os integrantes decidam se desejam doar esses componentes ou se aceitam recebê-los de doadores. Geoffrey Jackson, integrante do Corpo Governante, afirmou em vídeo: “Cada cristão precisa tomar sua própria decisão sobre o uso desses quatro componentes principais em qualquer situação médica ou cirúrgica”.
Até então, a recomendação era que os fiéis não doassem nem recebessem os quatro componentes. A organização afirma que alguns integrantes podem continuar rejeitando todos os produtos derivados do sangue, enquanto outros podem aceitar determinados componentes ou frações. A decisão deve ser tomada de acordo com a consciência individual, depois de reflexão e oração.
Mudanças nas diretrizes
Em março, o grupo religioso já havia alterado outra regra relacionada ao tema. Desde então, os fiéis podem utilizar o próprio sangue em tratamentos médicos quando ele é retirado e armazenado previamente.
A posição das Testemunhas de Jeová sobre o sangue é baseada na interpretação de passagens bíblicas que orientam os cristãos a se absterem dele. O site da organização afirma que as Escrituras “claramente nos ordenam a nos abster de sangue”. Entre os trechos citados estão Gênesis 9:4 e Atos 15:28-29.
Segundo Jackson, a Bíblia não determina de que forma os cristãos devem lidar com o uso médico dos componentes. Ele também mencionou Gálatas 6:5, 1 Coríntios 4:6 e 2 Coríntios 1:24 para defender que a liderança religiosa não deve impor regras além do que está escrito nas Escrituras. Romanos 14:12 é citado para reforçar a responsabilidade individual: “Cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”.
Histórico e presença no Brasil
Com sede nos EUA, as Testemunhas de Jeová tinham 1,4 milhão de adeptos no Brasil no Censo de 2010, dado oficial mais atualizado sobre a religiosidade nacional.
A orientação anterior sobre sangue esteve entre as regras mais criticadas do grupo e chegou à Justiça em casos envolvendo pais que recusaram procedimento para uma filha recém-nascida prematura. Em um desses casos, um juiz descartou o argumento de liberdade de crença.
A organização também orienta os fiéis a não celebrar aniversários ou o Natal e a não votar em candidatos nem concorrer a cargos políticos.


