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Cultura

André Gago vê na experiência física dos livros uma defesa da literatura

Em Óbidos, o escritor português falou sobre inteligência artificial, seu romance Manuscrito de Alexandria e a relação com o Brasil.

A experiência física proporcionada pelos livros é, para André Gago, um dos elementos que distinguem a literatura da produção feita por sistemas de inteligência artificial. O escritor português trata o contato com o papel, o cheiro e o toque das obras como parte da relação entre leitor e livro.

Gago participa do FÓLIO — Festival Literário Internacional de Óbidos para apresentar Manuscrito de Alexandria, romance vencedor do Prêmio Literário Armando Baptista-Bastos de 2025. A obra foi desenvolvida ao longo de mais de dez anos, paralelamente à atuação do autor no teatro, na música e nos recitais de poesia.

No romance, ambientado em uma Paris futurista, os livros se tornaram objetos do passado. O protagonista procura um manuscrito perdido na Biblioteca de Alexandria, e seu primeiro contato com uma biblioteca é marcado pelas características materiais dos volumes. “O livro tem uma pele própria, há uma relação física que tem o seu quê de sensual, de erótico”, afirma Gago.

Uma sociedade sem opressão explícita

A discussão sobre inteligência artificial aparece dentro da própria narrativa. Gago considera que textos produzidos por sistemas artificiais carregam uma marca que os diferencia da escrita humana, ligada à experiência íntima de quem escreve. Para o autor, essa dimensão pessoal não pode ser reproduzida.

Ao construir o futuro descrito no livro, o escritor evitou criar uma sociedade abertamente autoritária, como as apresentadas em 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. A opressão, segundo ele, pode ser incorporada à vida cotidiana sem se apresentar de forma evidente.

Gago também deixou de lado previsões tecnológicas e políticas que poderiam perder atualidade antes da publicação. “O escritor não é um adivinho”, resume. Na avaliação dele, o universo do romance não está distante da realidade atual, embora apareça de modo mais claro e com menos disfarces.

Laços com o Brasil

Apesar da perda de espaço dos livros na sociedade imaginada no romance, Gago não prevê o fim da literatura. Ele a define como uma forma de a humanidade narrar a si mesma.

A ligação do escritor com o Brasil inclui a publicação de seu primeiro romance, Rio Homem, em 2010, além da relação com a música brasileira. Gago cita Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil entre os artistas que admira. Também é amigo pessoal de Elisa Lucinda, poeta e atriz, musicou poemas de Oswald de Andrade e atualmente apresenta um espetáculo com composições baseadas em versos de poetas brasileiros.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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