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Saúde

SUS leva sangue raro do Ceará a Minas em voo comercial para transfusão

Bolsa foi localizada por cadastro do Ministério da Saúde e chegou a Juiz de Fora para atender paciente transplantado renal em estado grave.

SUS leva sangue raro do Ceará a Minas em voo comercial para transfusão
Foto: Paulo Cavalcanti/HEMOCE

O Sistema Único de Saúde (SUS) transportou uma bolsa de sangue raro do Ceará para Juiz de Fora, em Minas Gerais, onde um paciente em estado grave aguardava uma transfusão após passar por um transplante renal. A coleta ocorreu na quinta-feira (8), e o material chegou ao destino na sexta-feira (9), na cabine de um avião comercial.

Esta foi a segunda operação desse tipo realizada no Brasil. O transporte foi possível por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas. A modalidade permite levar bolsas compatíveis com mais rapidez, inclusive durante a noite, nos fins de semana e em feriados.

Busca por doador compatível

A equipe médica identificou, durante os testes pré-transfusionais, a presença do anticorpo anti-Jsb no paciente. A característica dificultou a localização de uma bolsa compatível. A rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), do Ministério da Saúde, e encontrou um doador no Ceará.

O doador foi ao hemocentro, onde a bolsa foi coletada e liberada no mesmo dia. O material seguiu em embalagem apropriada, com controle de temperatura, e foi levado sem cobrança na cabine de uma aeronave comercial. Outros doadores estão sendo chamados para suprir as necessidades de transfusão do paciente.

Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o cadastro reúne atualmente 2.032 doadores e já ajudou no atendimento de mais de 300 pacientes, segundo a pasta.

A primeira operação brasileira de transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial ocorreu em 12 de setembro, no trajeto entre São Paulo e o Piauí. Na ocasião, a bolsa foi destinada a um paciente com doença renal crônica em estado grave. A rede de hemoterapia havia localizado em São Paulo um doador compatível, e a transfusão foi realizada com sucesso, conforme a equipe responsável pelo atendimento.

Compatibilidade e conservação

Os sistemas ABO e Rh são apenas parte dos fatores usados para avaliar a compatibilidade sanguínea. As hemácias também apresentam outros antígenos em sua superfície, que precisam ser considerados em algumas transfusões.

Um perfil é geralmente classificado como raro quando aparece em menos de um a cada mil doadores testados. A frequência pode variar conforme a população analisada. A dificuldade aumenta quando o paciente necessita de uma combinação específica de características, como vários antígenos negativos ao mesmo tempo. Nessas situações, a busca pode envolver bancos de dados de diferentes hemocentros e doadores de outros estados.

A distância não compromete necessariamente a qualidade da bolsa. O cuidado central é manter a conservação durante todo o deslocamento. Para as hemácias, a faixa usual de armazenamento é de 1°C a 6°C; no transporte, pode variar de 1°C a 10°C, conforme os protocolos aplicáveis. Caixas térmicas e o monitoramento contínuo permitem documentar a manutenção da cadeia de frio.

Temperaturas fora dos limites podem prejudicar as hemácias e aumentar a hemólise, processo de ruptura das células. O acordo com as companhias aéreas aproveita voos comerciais para reduzir o tempo de deslocamento, em uma estrutura de cooperação que já era usada para transportar órgãos destinados a transplantes.

Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes de órgãos: 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da FAB, segundo o Ministério da Saúde.

Outra estratégia é congelar unidades compatíveis com pacientes que possam precisar de transfusões futuras. A técnica usa glicerol para proteger as hemácias durante o congelamento. As bolsas são geralmente congeladas em até seis dias após a coleta e mantidas abaixo de -65°C, podendo ser conservadas por até dez anos.

O Ministério da Saúde também prevê ampliar a identificação de pessoas com perfis sanguíneos raros e estruturar laboratórios de referência. A adesão do Brasil a uma rede mundial de sangue raro está prevista para outubro de 2026. A iniciativa poderá facilitar pedidos de unidades a outros países e o envio de bolsas brasileiras para pacientes no exterior.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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