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Saúde

Vacinação exige comunicação, acesso e ação dos profissionais, diz estudo

Pesquisa reúne cinco frentes para reduzir a hesitação vacinal entre adultos e gestantes, com medidas adaptadas a cada público.

Vacinação exige comunicação, acesso e ação dos profissionais, diz estudo
Foto: Folhapress

A recuperação das coberturas vacinais no Brasil ocorre em meio ao risco de reintrodução de doenças e reforça a necessidade de estratégias para enfrentar a hesitação à imunização. Em 2025, 50 mil crianças não haviam recebido a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche, ante 255 mil em 2024.

Os dados fazem parte do contexto apresentado por um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde. O trabalho analisou 48 revisões sistemáticas, produzidas entre 2012 e 2024, sobre intervenções para adultos e gestantes. A síntese foi elaborada a partir de uma chamada pública do Ministério da Saúde para orientar políticas públicas.

As cinco frentes indicadas são comunicação adaptada aos diferentes públicos, combate à desinformação, capacitação contínua dos profissionais de saúde, ampliação do acesso às doses e ações específicas para gestantes e puérperas. De acordo com os autores, a combinação das medidas tende a produzir melhores resultados quando considera as necessidades de cada população.

Comunicação e confiança

As campanhas devem levar em conta as características socioculturais dos grupos e explicar tanto os benefícios individuais quanto a importância da vacinação para a proteção coletiva. Entre as possibilidades estão o uso de outros idiomas para migrantes, linguagem simples sobre a segurança dos imunizantes, participação de lideranças comunitárias e religiosas e atuação de influenciadores digitais.

“Cada população, cada comunidade, vai sofrer barreiras diferentes para se vacinar”, afirma Ana Paula da Costa Marques, professora de microbiologia do Instituto de Biociências da UFMS e autora do estudo.

A pesquisa também recomenda que autoridades e profissionais respondam a conteúdos falsos nas redes sociais, divulguem informações científicas em linguagem acessível e adotem monitoramento e políticas regulatórias para evitar a circulação de mensagens enganosas. Para Juarez Cunha, diretor da SBIm, a falta de confiança nas vacinas, nos profissionais e nas instituições pode afastar a população. A identificação dos obstáculos em cada localidade, segundo ele, ajuda a definir as medidas mais adequadas.

Atendimento e acesso

O estudo defende treinamento permanente das equipes, com conteúdo sobre imunização e comunicação. A recomendação direta durante o atendimento pode influenciar a decisão do paciente. Rosane Orth Argenta, CEO da Saúde Livre Vacinas, afirma que o profissional deve verificar o calendário e indicar as doses necessárias, sem aguardar que a pessoa faça a pergunta.

Também é preciso reduzir dificuldades logísticas. Horários estendidos, atendimento nos fins de semana, unidades móveis e oferta de vacinas em escolas, empresas e universidades podem facilitar a imunização de quem não consegue comparecer a uma unidade de saúde no horário habitual.

Para gestantes e puérperas, a orientação é esclarecer dúvidas sobre possíveis efeitos adversos para a mãe e o bebê e disponibilizar as vacinas durante o pré-natal e nas maternidades, acompanhadas de explicações e materiais informativos.

Situação do sarampo

Em 2026, o Brasil deixou a lista dos 20 países com maior número de crianças “zero-dose”, segundo estimativas da OMS e do Unicef. São consideradas zero-dose as crianças que não receberam a primeira aplicação contra difteria, tétano e coqueluche. No país, a proteção é feita pela pentavalente, que também previne hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo b.

Guatemala, México, Estados Unidos, Peru e Canadá reuniam 99,5% dos casos confirmados de sarampo em 2026. Em novembro de 2025, o Canadá voltou a registrar transmissão endêmica, e as Américas perderam o status de região livre da circulação endêmica da doença.

Até 5 de outubro, o Ministério da Saúde registrou 52 casos importados no Brasil: 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. O país havia recuperado, em novembro de 2024, a condição de livre da circulação endêmica. Em 2025, a primeira dose da tríplice viral alcançou 93,1% de cobertura, enquanto a meta é 95%.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil voltada a iniciativas de promoção da saúde.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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