SÃO PAULO — A Bienal do Livro de São Paulo registrou fluxo intenso de visitantes neste domingo, com filas nos estandes, aglomerações nas áreas de alimentação e concentração de público perto dos banheiros. Os ingressos do primeiro final de semana estavam esgotados, mas pessoas com credencial plena do Sesc puderam entrar gratuitamente, incluindo titulares e dependentes.
A organização informou que acompanhava os pontos de maior concentração e fazia ajustes ao longo do evento. Durante a madrugada de sábado para domingo, foram realizadas obras no pavilhão para ampliar a quantidade de banheiros femininos. Em nota, a Bienal afirmou: "O controle da capacidade do pavilhão é respeitado e seguido dentro das orientações e aprovações da área. Em nenhum momento ultrapassou o limite".
No estande da Intrínseca, a fila contornava o espaço. A equipe montou uma extensão no corredor para atender à demanda, mas visitantes ainda demonstravam dificuldade para identificar o caminho. Na área da Companhia das Letras, a fila do caixa ocupava metade do corredor externo e formava cinco voltas. O público precisava passar entre essa fila e outra, menor, do estande da Record, onde houve tumulto e empurra-empurra.
O estande da Alt, selo da Globo Livros, havia registrado filas de quase três horas no sábado e continuou lotado no domingo. A concentração bloqueava a entrada do espaço vizinho, da editora Malê. Na área de alimentação, visitantes se sentaram no chão diante da falta de mesas e cadeiras.
Nas proximidades da Arena Cultural, onde ocorria a programação oficial, o movimento foi mais tranquilo do que no sábado. O convidado internacional do dia foi o australiano Jay Kristoff, autor das trilogias "Império do Vampiro" e "As Crônicas da Quasinoite", publicadas no Brasil pela Plataforma21.
A programação também teve um debate sobre identidade trans, com Amara Moira, Alana S. Portero e Vércio Gonçalves Conceição, sob mediação de Lui Navarro Fonseca. Moira afirmou: "A literatura trans não é só dor, é muito prazer, muita loucura, muita alegria".
No fim do dia, Kelly M., Ellie Morgan e Leonor Carvalho participaram de uma conversa sobre livros de dark romance, derivado do gênero erótico. As autoras abordaram desejos femininos e a distinção entre realidade e ficção.


