O manifesto Partners for Multilateralism (Parceiros pelo Multilateralismo) defende a renovação das instituições internacionais sem substituir o sistema multilateral existente. O documento é assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e pelo líder do Quênia, William Ruto.
Publicado neste domingo (20), o texto antecede o início, na próxima terça (22), dos discursos de chefes de Estado na Assembleia-Geral da ONU. A iniciativa propõe tornar as instituições multilaterais mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis.
O manifesto sustenta que países e economias estão mais interdependentes, enquanto a ordem internacional se tornou mais fragmentada e polarizada. Para os signatários, esse contraste exige a reforma de instituições criadas no pós-guerra, incluindo a ONU.
“Em 2025, registraram-se 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o número mais elevado desde 1946”, afirma o documento. O texto também registra que as despesas militares globais atingiram US$ 2,9 bilhões e diz que o direito internacional está sob pressão.
Áreas de cooperação
A proposta prevê ampliar a colaboração entre organizações regionais e estabelecer ações em paz e segurança, governança econômica global, inteligência artificial, mudanças climáticas e segurança sanitária. Os signatários também citam pandemias, conflitos armados, choques financeiros e interrupções em rotas marítimas estratégicas como problemas que não poderiam ser enfrentados isoladamente por um país.
O grupo afirma que a cooperação internacional deve ser tratada como uma necessidade prática, e não como uma questão de idealismo. O manifesto preserva princípios da Carta da ONU, como a igualdade soberana entre os países, a integridade territorial, a solução pacífica de controvérsias, a proibição da ameaça ou do uso da força, o direito humanitário internacional, os direitos humanos e as liberdades fundamentais.
A iniciativa é apresentada em meio à pressão sobre instituições multilaterais e ao aumento das disputas entre grandes potências. A ONU enfrenta uma crise orçamentária, e seu Conselho de Segurança é descrito no manifesto como bloqueado por decisões de potências. O documento também aponta o uso de relações econômicas como instrumentos de pressão e coerção e o retorno da linguagem de esferas de influência e política de poder.


