A comédia romântica A Hipótese do Amor, lançada pelo Prime Video, acompanha uma doutoranda em biologia que precisa conciliar a pesquisa acadêmica com um relacionamento de fachada. A produção amplia a presença de protagonistas ligadas à ciência em histórias de amor e adapta o livro homônimo de Ali Hazelwood, autora e neurocientista italiana.
Interpretada por Lili Reinhart, Olive Smith busca financiamento para uma pesquisa sobre um exame rápido para detectar câncer de pâncreas. Ela aceita fingir um namoro com Adam Carlsen, vivido por Tom Bateman, um professor conhecido pelo tratamento severo aos alunos. A relação beneficia os dois: ele pretende transmitir uma imagem de estabilidade para obter uma bolsa de pesquisa, enquanto Olive tenta resolver uma situação envolvendo uma amiga e um paquera em comum.
A estrutura mantém a fórmula de dois personagens opostos que se aproximam por conveniência. A novidade está no perfil da protagonista, cuja trajetória não se resume à procura por um parceiro. O romance divide espaço com obstáculos como o machismo nos laboratórios, a busca por patrocínio e a publicação de artigos em revistas de prestígio.
A ficção “Steminist”
O livro que inspirou o filme foi publicado em 2021 e ganhou força entre jovens leitores por meio do TikTok. No Brasil, ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas. Hazelwood também escreveu Amor, Teoricamente, cuja adaptação será feita pelo Prime Video e tem uma física teórica como heroína, e A Razão do Amor, centrado em uma neurocientista.
Esse conjunto de histórias é associado à chamada ficção Steminist, termo formado pela combinação de feminista, em inglês, com Stem, sigla para ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Nessas narrativas, o desafio principal das personagens está ligado à carreira e ao reconhecimento profissional, enquanto o amor aparece como mais uma questão a ser compreendida.
Antecedentes na televisão
A presença de mulheres cientistas em produções audiovisuais ganhou um marco na década de 1990 com Dana Scully, médica e patologista interpretada por Gillian Anderson em Arquivo X (1993-2002). Parceira de Fox Mulder, personagem de David Duchovny, Scully representava o ceticismo e o método científico nas investigações sobre a possível existência de vida fora da Terra.
A influência da personagem foi associada ao chamado “Efeito Scully”. Um estudo do Instituto Geena Davis apontou que 63% das mulheres que assistiram à série sentiram mais confiança para seguir uma carreira científica.
Em 2023, a minissérie Uma Questão de Química, do Apple TV, levou a combinação entre romance e ciência para os anos 1950. Brie Larson interpreta Elizabeth Zott, uma química que enfrenta resistência no meio acadêmico e passa a apresentar um programa de culinária para ensinar ciência na cozinha. Na trama, ela se apaixona por outro químico, vivido por Lewis Pullman.
Com A Hipótese do Amor, a fórmula chega a uma versão mais popular, sem abandonar os conflitos profissionais das protagonistas. Congressos acadêmicos e microscópios passam a funcionar como cenários e elementos do romance, enquanto a carreira e o afeto deixam de ser escolhas necessariamente excludentes.


