Em 1974, Elton John convidou John Lennon para participar de um show no Madison Square Garden, em Nova York. O ex-Beatle aceitou e fez ali uma de suas últimas apresentações ao vivo. Antes do encontro, porém, ficou impressionado com a dimensão dos espetáculos do colega e demonstrou nervosismo com a participação.
A preparação começou em Boston, onde os dois foram assistir a uma apresentação de Elton. Tony King, empresário ligado à ocasião, relatou que Lennon não ia a um show havia muito tempo e não sabia como a produção musical havia se desenvolvido. “O show do Elton, em particular, era de última geração”, afirmou King em uma gravação recuperada pelo documentário Never Too Late, disponível no Disney+.
Segundo o empresário, o sistema de som e a estrutura da turnê pareciam extravagantes para Lennon, que vinha de uma época marcada pelos “quatro amplificadores”. A diferença também aparecia no figurino e na performance de Elton. O cantor reconheceu no documentário que Lennon provavelmente ficou surpreso com suas roupas e com o conjunto da apresentação.
Semanas depois, os dois finalmente dividiram o palco em Nova York. Lennon, ainda tenso, brincou diante do público: “Estamos pensando qual vai ser a última música, para que eu possa sair daqui e vomitar de nervoso”.
A apresentação teve outro efeito na vida de Lennon. Yoko Ono estava na plateia, e o show foi apontado como parte importante da reaproximação entre os dois. Depois que o casal retomou o convívio e teve o filho Sean, Elton foi escolhido como padrinho da criança.
A amizade entre Elton John e John Lennon se estendeu além daquele episódio. Os dois colaboraram no palco e no estúdio, em uma relação que aproximou duas gerações importantes da música popular.


