URUBICI — Uma semana após a queda de um helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, a investigação ainda não identificou a causa do acidente em Urubici, na serra Catarinense. O voo ocorreu em 21 de setembro, e a aeronave levava cinco pessoas.
O helicóptero, um Bell 430 de prefixo PP-MGR, saiu de Porto Belo às 10h30 com destino a Criciúma. O pouso estava previsto para 11h24, mas o último sinal foi registrado às 11h34. A queda teria acontecido aproximadamente um minuto depois. Os destroços foram encontrados no dia seguinte, em uma área de mata de difícil acesso, a cerca de 1.700 metros de altitude.
Dados analisados
A apuração é conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), com participação da Polícia Civil. A caixa-preta foi recuperada por equipes do Cenipa na quarta-feira, 23, e passou a integrar a análise.
O voo ocorreu em espaço aéreo não controlado, onde não era exigido contato permanente entre o piloto e os órgãos de controle de tráfego aéreo. A FAB informou, porém, que os pilotos poderiam receber informações meteorológicas e outros dados pelo Serviço de Informação de Voo. A condição do espaço aéreo não impedia a realização do trajeto.
As condições meteorológicas também estão entre os pontos examinados. Havia chuva forte, ventos intensos e baixa visibilidade provocada pela nebulosidade na região serrana. Vídeos feitos por moradores pouco antes da queda mostram, segundo testemunhas, o helicóptero voando mais baixo do que o habitual. Outro registro não indica sinais visíveis de fumaça ou pane.
Ainda são avaliadas possibilidades como colisão com algum obstáculo, voo abaixo do nível das montanhas, correntes de ar descendentes em uma área de relevo acidentado e falha humana relacionada ao tempo. Nenhuma dessas hipóteses foi confirmada.
A Polícia Científica usa drones e scanner tridimensional para reconstruir a dinâmica do acidente. O Cenipa examina os dados da aeronave e da caixa-preta. Conforme informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Bell 430 estava regular e tinha certificado de operação válido até agosto de 2027.
Também morreram Bruno Avelar, empresário; Paulo Soares, produtor de vídeos; Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, piloto; e Leopoldo Barros Teixeira, copiloto. A definição das causas depende da conclusão das perícias e da análise dos dados reunidos pelas autoridades.


