São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Cultura

K-pop transforma Rock in Rio em um festival dentro do festival

Stray Kids liderou uma noite marcada por público jovem, ingressos disponíveis e pouca interação com as demais atrações.

K-pop transforma Rock in Rio em um festival dentro do festival
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

A noite dedicada ao k-pop no Rock in Rio reuniu um público majoritariamente jovem e criou uma dinâmica própria dentro do festival. Crianças e adolescentes, muitos acompanhados dos pais, chegaram ao Parque Olímpico desde o começo da tarde para acompanhar três atrações sul-coreanas no palco Mundo, o principal do evento.

A data, realizada nesta sexta-feira (11), não teve ingressos esgotados. Ainda era possível comprar entradas quando os shows já haviam começado, como ocorreu em outros dias do festival. Mesmo assim, as apresentações foram acompanhadas por multidões, especialmente a do Stray Kids, principal atração da programação.

Público concentrado no palco Mundo

A mobilização dos fãs era visível nos arredores, com camisetas do Stray Kids vendidas por camelôs e espectadores usando adereços, leques e bastões iluminados, conhecidos como lightsticks. A região próxima à grade ficou apertada durante o show do grupo. Algumas pessoas passaram mal por causa do calor, em um dia abafado, com pouca chuva e termômetros perto dos 30 graus.

O Rock in Rio chegou a pedir que o público recuasse para que a apresentação continuasse. A concentração contrastou com os demais palcos. Parte dos fãs preferiu guardar lugar no espaço principal e não acompanhou shows como o de Os Garotin com Duquesa, no Sunset, o de NandaTsunami, no Supernova, e o do Jamiroquai. Nesses espaços, o público era mais adulto e semelhante ao de outras datas.

Os pais que acompanhavam os jovens também pareciam pouco familiarizados com os artistas sul-coreanos. O resultado foi uma espécie de festival dentro do festival: entre as apresentações de k-pop, muitos espectadores permaneceram sentados em cangas ou apoiados em estruturas metálicas, em vez de circular pelo Parque Olímpico.

Três shows com estilos diferentes

O Nexz abriu o palco Mundo diante de uma multidão que pulou e aplaudiu o grupo. Formado por seis japoneses e um sul-coreano, o conjunto atua na indústria musical da Coreia do Sul e tem apenas dois anos desde sua formação. A apresentação combinou coreografias, playback e um pop de elementos sintéticos, funcionando como preparação para os shows seguintes.

Hwasa, integrante do Mamamoo, apresentou seu trabalho solo acompanhada por uma banda, algo incomum no k-pop. O repertório passou por riffs de guitarra e batidas eletrônicas associadas ao hyperpop. A cantora também usou faixas de apoio gravadas, comuns no pop atual, mas sustentou uma performance marcada pelo canto e pelo domínio do palco.

O Stray Kids encerrou a noite com um som mais pesado que o dos demais grupos da programação, baseado em batidas e rimas de hip-hop. A apresentação alternou vozes melódicas, timbres distorcidos, refrãos e arranjos instrumentais em uma sequência acelerada. Os integrantes também fizeram coreografias, tocaram acompanhados por uma banda, brincaram com música brasileira e conversaram com o público.

Nos três shows, houve um tradutor no palco, prática incomum em festivais no Brasil. A combinação de referências do pop, do rap e do rock dos Estados Unidos e do Reino Unido ajudou a definir a sonoridade apresentada na noite.

Expansão da música sul-coreana

A data também marcou a consolidação do k-pop no Brasil. Em 2019, o BTS realizou dois shows seguidos no Nubank Parque, com apresentações de mais de 2h30. O grupo foi o primeiro a demonstrar a dimensão que o pop coreano poderia alcançar no país e abriu espaço para outros artistas da indústria.

No ano passado, o Stray Kids superou essa marca no Brasil com dois shows no estádio do Morumbi e outro no Nilton Santos, no Rio. A presença no Rock in Rio ampliou a exposição do grupo a uma experiência de festival, ainda que o público de k-pop tenha permanecido concentrado em seu próprio circuito dentro do evento.

A escolha do gênero faz parte das tentativas do Rock in Rio de renovar sua programação. Dos cinco dias do festival até agora, em três os ingressos não haviam se esgotado antes de as atrações subirem ao palco. A noite de k-pop mostrou capacidade de reunir multidões, mas também revelou a dificuldade de integrar esse público aos demais ambientes do festival.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.