Lázaro Ramos passou a interpretar personagens antagonistas em projetos que abordam conflitos relacionados à masculinidade tóxica. Aos 47 anos, o ator vive Vicente, marido abusivo no filme Antártida, e Jendal, seu primeiro vilão na dramaturgia, na novela das 6 da Globo, A Nobreza do Amor.
No cinema, Antártida acompanha a cientista Inês, interpretada por Marina Ruy Barbosa, vítima de violência sexual em uma estação de pesquisa. Como ela não consegue identificar o agressor, todos os homens da base se tornam suspeitos. Vicente também mantém uma relação conjugal violenta com outra cientista, personagem de Leandra Leal.
A mudança de registro ocorre depois de uma trajetória marcada por papéis carismáticos, como Foguinho, de Cobras & Lagartos (2006). No início da carreira, Ramos recusou oportunidades que exigiam o uso de arma de fogo em cena. A decisão buscava evitar a associação entre homens negros e violência e ampliar sua presença em papéis de protagonista heroico, romântico ou cômico.
Novas camadas para os personagens
Em Feito Pipa, que estreia em 5 de novembro e foi selecionado para representar o Brasil no Oscar de 2027, o ator interpreta um pai homofóbico que rejeita o filho queer Gugu, vivido por Yuri Gomes. O menino é criado pela avó Dilma, personagem de Teca Pereira, com liberdade para ser quem é. Pelo trabalho, Ramos recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado deste ano.
O ator afirma que aceitou os três papéis recentes por considerar que eram personagens de qualidade. “Tento construir personagens que provoquem reflexão”, disse. Para ele, a maturidade ampliou a possibilidade de pesquisar outras dimensões da masculinidade e escolher trabalhos distantes dos mocinhos que interpretava.
Na avaliação de Ramos, esses personagens podem levar o público a reprovar as atitudes apresentadas na tela e, ao mesmo tempo, reconhecer conflitos semelhantes no mundo real. Na vida pessoal, ele é pai de João Vicente, 15, e Maria Antônia, 11, do casamento com a atriz Taís Araujo, que dura duas décadas.


