O filme brasileiro de terror trash Privadas de Suas Vidas, centrado em vasos sanitários assassinos e em personagens LGBT+, foi exibido nesta segunda-feira, 5, no Festival do Rio. A sessão teve a presença dos diretores Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner, além de atores e integrantes da equipe.
A história acompanha Malu, organizadora de eventos interpretada por Martha Nowill, que desenvolve constipação crônica depois que um de seus filhos morre em um acidente sobre um vaso sanitário. Anos mais tarde, ela tenta controlar Gênesis, personagem de Benjamín, que provoca conflitos no ensino médio ao defender a causa não binária e o uso de linguagem neutra.
A tensão familiar aumenta quando um acidente amaldiçoa as privadas do condomínio. Os vasos passam a ameaçar os moradores, entre eles a síndica interpretada por Maria Gladys, a jovem esotérica Katka, vivida por Olívia Torres, e uma influenciadora grávida, papel de Chandelly Braz, que pretende atrair atenção na internet com um chá de revelação. O marido dela, interpretado por Marco Pigossi, tenta ganhar dinheiro com jogos de azar. Katka também lê fezes como se fossem cartas de tarô.
Representatividade e humor
Pigossi afirmou que aceitou participar do projeto por considerar improvável que a ideia chegasse às telas. Para o ator, a produção mostra que personagens LGBT+ podem aparecer em situações variadas, sem ficar restritos a histórias de sofrimento, rejeição ou tragédia. “Podemos fazer tudo, até cocô”, disse.
Ele também afirmou que a privada pode revelar aspectos da vida cotidiana e contou que passou a prestar mais atenção nos próprios vasos sanitários depois das filmagens. Sobre o tom escatológico, descreveu a experiência como divertida e destacou o trabalho da equipe de direção de arte na criação dos dejetos usados em cena.
Pigossi disse ainda que o filme aborda questões sociais por meio da sátira e pode estimular o público a refletir, desenvolver empatia pelas personagens e pensar sobre determinados temas. Para ele, a produção se beneficia de um momento de ampliação do cinema LGBT+, com histórias que ultrapassam os modelos centrados apenas na dificuldade de aceitação.
Prêmios e circuito de festivais
Desde a estreia no começo do ano, no Festival Internacional de Cinema de Roterdã, nos Países Baixos, Privadas de Suas Vidas acumulou reconhecimento. No Festival de Brasília, recebeu três troféus: melhor atriz para Nowill, melhor atriz coadjuvante para Torres e melhor direção de arte para Juliana Lobo.
No Festival do Rio, o longa disputa com outros 49 títulos o Prêmio Félix, dedicado à produção LGBT+ da mostra. A programação também inclui A Bola Preta e Club Kid, escolhidos para as sessões de abertura e encerramento.
Para Pigossi, o cinema independente tem espaço para assumir riscos que nem sempre cabem em produções orientadas por expectativas comerciais. Ele afirmou que Privadas de Suas Vidas não tem um grande player por trás nem investimento massivo e atribuiu a liberdade do projeto à disposição do produtor Rodrigo Teixeira de apostar em uma proposta fora dos padrões.


