RIO DE JANEIRO — A história das irmãs Fox, trio associado ao surgimento do espiritismo kardecista nos Estados Unidos, chega aos cinemas em The Fox Sisters, novo filme de Wagner de Assis, diretor da série Nosso Lar. A estreia está marcada para a quinta-feira 24.
A trama começa em 1848, quando estrondos passaram a ser ouvidos na casa da família Fox, em Nova York. Kate e Maggie, de 10 e 14 anos, interpretaram os sons como mensagens de um caixeiro-viajante assassinado no terreno. As duas criaram um sistema de comunicação: um baque significava sim, e dois indicavam não.
No ano seguinte, Leah, a irmã mais velha, de 35, assumiu a organização das apresentações públicas e o agenciamento das meninas. O trio ganhou fama e dinheiro, mas a trajetória terminou marcada por conflitos e dificuldades. Maggie e Kate sucumbiram ao alcoolismo, enquanto Leah manteve a dedicação à causa e publicou O Elo Perdido no Espiritualismo Moderno, em 1885.
Produção e controvérsia
Rodado no Rio de Janeiro, o longa é falado em inglês e ambientado nos Estados Unidos. Sionne Elise, Marie McHugh e Jamie Hughes interpretam as irmãs. Nenhuma das três segue a doutrina fora do trabalho, mas Jamie compara as personagens às “Kardashians dos anos 1850”, em referência à fama e à fortuna que alcançaram.
A atriz também avalia que Leah buscava tanto divulgar a crença espiritual quanto retirar a família da pobreza. A personagem teria passado a agenciar as irmãs com esses dois objetivos.
A reputação do trio foi abalada quando Maggie confessou que as manifestações eram uma fraude. As irmãs teriam começado usando uma maçã presa a um barbante e depois produzido os ruídos ao estalar as articulações dos pés e dos joelhos. Mais tarde, Maggie voltou atrás e afirmou que havia sido coagida.
Assis sustenta que a credibilidade da médium continua preservada e defende que o público não avalie o passado com os critérios atuais. O diretor também pede que os espectadores conheçam a história pelo filme, em vez de se limitarem às consultas na internet.


