RIO DE JANEIRO — A Unidos de Vila Isabel decidiu levar ao Carnaval 2027 apenas o samba-enredo assinado por Martinho da Vila, após anunciar a junção de duas composições finalistas. A mudança encerrou uma crise que envolveu o presidente de honra da escola e provocou a saída de compositores ligados ao outro samba.
A decisão inicial foi anunciada na madrugada de 12 de setembro. O samba 5 era assinado por Paulo César Feital, Gustavinho Oliveira, Thales Nunes, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins, Gabriel Simões e Rafael Tinguinha. O samba 13 tinha como autores Evandro Bocão, André Diniz e Martinho da Vila.
A Vila Isabel justificou a fusão por questões técnicas de melodia e letra. Martinho, porém, já havia demonstrado resistência a esse tipo de procedimento e chegou a deixar disputas em 2006 e 2008 por causa da união de sambas. Ao saber que sua composição seria alterada, pediu que seu nome fosse retirado da lista de compositores.
“Discordo e já pedi para retirar meu nome”, afirmou Martinho da Vila. A situação só foi resolvida depois que Capitão Guimarães decidiu voltar atrás e declarou vencedor apenas o samba do presidente de honra da agremiação.
Reação dos compositores
A mudança provocou manifestações de integrantes do grupo que havia participado da composição preterida. Alguns anunciaram a saída da escola e classificaram o episódio como covardia e humilhação. Gabriel Simões afirmou: “A gente foi para a quadra, apresentou por quatro vezes, fomos anunciados como campeões e agora a escola diz que não somos campeões”.
A decisão também expôs Martinho da Vila a críticas de integrantes da comunidade. O sambista havia reclamado da falta de consulta prévia e defendido que o processo deveria ter respeitado sua posição na escola. As reações foram associadas à condução da escolha pela atual administração da Vila Isabel.


