HONG KONG (CHINA) — As ações da Shein fecharam em queda de 10,71% na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (29), cotadas a 31,50 dólares de Hong Kong (R$ 21,03). Durante a sessão, os papéis chegaram a recuar 14,3%, após a divulgação de resultados financeiros considerados decepcionantes pela companhia.
Na segunda-feira (28), a Shein informou que a receita avançou apenas 1% nos primeiros seis meses do ano, na comparação anual. No mesmo período, o lucro operacional caiu pela metade. Os dados foram divulgados após a oferta pública inicial de ações realizada neste mês, a primeira da empresa desde sua estreia no mercado.
A operação avaliou a companhia em cerca de US$ 26,3 bilhões (R$ 137,45 bilhões), abaixo dos quase US$ 100 bilhões alcançados em rodadas privadas de captação de recursos em 2022.
A receita líquida na Europa recuou 13,9% no segundo trimestre, para quase US$ 3,8 bilhões (R$ 19,86 bilhões). Nos Estados Unidos, outro mercado importante, a queda foi de 6% entre abril e junho, em meio ao impacto das tarifas.
Desde o primeiro dia de negociação na Bolsa de Valores de Hong Kong, em setembro, as ações acumulam baixa de mais de 35%. A empresa também enfrenta questionamentos relacionados ao impacto ambiental, acusações de violações dos direitos humanos e concorrência de plataformas de comércio eletrônico de baixo custo, como Temu e AliExpress.
Para Catherine Lim, analista da Business Intelligence, a queda torna incerta a dimensão de uma recuperação em 2027, que poderia ser favorecida pela redução dos custos de frete e pela aposta em marcas de preços mais elevados. Ela afirmou que a administração pretende absorver os custos de frete e das tarifas, sem elevar os preços, para preservar a posição competitiva. A manutenção de estoques locais na Europa, acrescentou, aumentará os custos logísticos no curto prazo.


