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Economia

Argentina fecha 31.342 empresas enquanto setores exportadores avançam

Dados do Cepa mostram encerramento de empresas desde dezembro de 2023, em uma economia marcada por ganhos na mineração e dificuldades no comércio e na indústria.

Argentina fecha 31.342 empresas enquanto setores exportadores avançam
Foto: Mariana Nedelcu/Reuters

A economia argentina combina expansão em setores ligados à exportação com redução do emprego formal, aumento do trabalho informal e fechamento de empresas. Dados do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) indicam que 31.342 empresas encerraram as atividades desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. O número corresponde a cerca de 6% do total de empresas.

A estimativa considera informações da Superintendência de Riscos Ocupacionais (SRT) e do sistema previdenciário. Como não existe um registro oficial específico para abertura e fechamento de empresas no país, o Cepa atualiza o cálculo mensalmente. As pequenas e médias empresas foram as mais atingidas.

Emprego formal recua

A criação de postos de trabalho também passou a ser um ponto de disputa. O ministro da Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, anunciou que mais de meio milhão de empregos foram criados durante o governo, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística.

Economistas, porém, afirmam que o emprego formal diminuiu, enquanto cresceram o trabalho informal e o trabalho autônomo. Milei reconheceu, em Nova York, que houve retração no setor formal e expansão no informal. Para o presidente, o resultado líquido foi positivo.

A precariedade do trabalho se relaciona à perda de renda e ao endividamento. Um em cada três argentinos vive na pobreza, o desemprego gira em torno de 8% e a renda real continua abaixo da inflação. A inadimplência alcança cerca de um terço das pessoas que contrataram empréstimos.

Os serviços básicos ficaram mais caros após a redução de subsídios, enquanto a indústria manufatureira foi afetada pela entrada de produtos importados. A abertura comercial encerrou um longo período de políticas de proteção à indústria nacional, segundo as empresas do setor.

Empresas em lados opostos

Os dados mais recentes do Banco Central da Argentina (BCRA) mostram crescimento em mineração, energia, agricultura e serviços bancários, enquanto comércio e indústria enfrentam dificuldades. O quadro é descrito por analistas como uma economia de duas velocidades.

A indústria local também enfrenta alta pressão tributária e dificuldades para obter financiamento. A União Industrial Argentina (UIA) classificou a situação do setor como crítica e afirmou que a transição para o novo modelo econômico não ocorre de maneira homogênea nem imediata.

Alejandro Marchizotti fechou a hamburgueria Hupa San Andrés no final de maio. Ele relatou que a queda do consumo, os salários, os custos de eletricidade e gás e o aluguel tornaram o negócio inviável. A empresa passou de cinco funcionários para um antes do encerramento. Aos 63 anos, Marchizotti passou a dirigir para passageiros de um aplicativo de transporte.

Para Hernán Letcher, diretor do Cepa, a redução do consumo, a queda dos salários reais, o aumento das tarifas básicas e o volume de importações explicam parte dos fechamentos. Na avaliação dele, os setores que mais empregam estão entre os que apresentam pior desempenho.

Divergências sobre o modelo

Milei sustenta que muitas empresas fechadas eram formadas por apenas uma pessoa e minimiza o impacto sobre o emprego. Em setembro, ele chamou de estúpida a afirmação de que 80% dos argentinos enfrentam dificuldades para sobreviver. Também disse que o aumento da inadimplência seria consequência da expansão do crédito privado.

O governo prioriza setores capazes de gerar moeda estrangeira. Mineração, energia e agricultura têm levado volumes recordes de dólares ao país, enquanto projetos de gás, petróleo, lítio e minerais críticos reúnem compromissos de investimento que totalizam bilhões de dólares.

Guido Zack, diretor da área econômica do Centro de Pesquisas Fundar e professor da Universidade Nacional de San Martín (Unsam), afirma que a acumulação de dólares favorece apenas uma parte da economia. Para ele, a abertura comercial deveria ocorrer em condições de igualdade, pois empresas estrangeiras pagariam menos impostos em alguns casos. Zack também cita a valorização do câmbio e o aumento dos custos de logística e financiamento como fatores de pressão.

Miguel Boggiano, fundador e diretor da CDI Capital, contesta a interpretação de que o fechamento de mais de 30 mil empresas represente destruição em massa de empregos. Ele afirma que muitas eram pequenas empresas com um ou dois funcionários e vê o processo como uma transformação estrutural em direção a atividades exportadoras.

O primeiro semestre teve oscilações, mas o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O debate sobre empresas, empregos, dívidas e custo de vida deve continuar a partir de outubro, quando entrará em vigor o aumento do imposto sobre combustíveis, e ganhar força no próximo ano, durante as próximas eleições presidenciais.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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