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Economia

Eleição mais disputada amplia busca por proteção nos investimentos

Analistas recomendam diversificação e ativos menos expostos à volatilidade enquanto o mercado acompanha a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Eleição mais disputada amplia busca por proteção nos investimentos
Foto: Reuters

A maior proximidade entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas para a eleição presidencial tem levado investidores a procurar proteção e a distribuir melhor os recursos entre diferentes ativos. Analistas indicam títulos públicos e CDBs na renda fixa, além de ações de serviços públicos e empresas de commodities na renda variável, para carteiras mais cautelosas.

Investidores dispostos a assumir mais risco também podem considerar ativos associados às políticas econômicas esperadas para cada candidato. A necessidade de ajuste, porém, depende da composição atual da carteira. João Ferreira, sócio da One Investimentos, afirma que quem já possui exposição diversificada pode fazer mudanças pontuais, enquanto posições concentradas exigem maior distribuição entre classes de ativos.

Renda fixa e ações defensivas

No segmento de renda fixa, Ferreira aponta preferência por papéis vinculados à Selic ou ao CDI. Como a remuneração acompanha os índices de referência, esses investimentos tendem a sofrer menos com a oscilação provocada pelas expectativas para os juros futuros, segundo o especialista.

Entre as ações, ele cita empresas de saneamento e energia, cujas receitas podem ser corrigidas pela inflação e gerar fluxo de caixa mais previsível. O setor de construção voltado à baixa renda também aparece como alternativa, com companhias relacionadas ao Minha Casa, Minha Vida, política que Ferreira classifica como de Estado e independente de governos.

Relatório do BTG, elaborado a partir de conversas com gestores, descreve uma eleição competitiva e carteiras com risco relativamente controlado. As ações da Petrobras são tratadas como uma posição consensual, independentemente do resultado eleitoral. Em 2026, os papéis subiram em meio à valorização do petróleo.

O banco também aponta que uma leitura positiva do resultado das urnas poderia beneficiar B3, XP, BTG Pactual, Rede D’Or, Cyrela, Petrobras e Motiva. “Nossa percepção das conversas é que investidores locais estão cada vez mais se posicionando para uma eleição acirrada e dando mais crédito para a oposição”, afirmou o BTG em relatório.

Cenários projetados pelos bancos

O Citibank elaborou carteiras para possíveis governos de Lula e Flávio Bolsonaro. A instituição avalia que a diferença entre os dois estaria na forma de conduzir o ajuste fiscal, e não na necessidade de realizá-lo. Ambos teriam de enfrentar o desafio de recuperar a confiança na trajetória das contas públicas em um ambiente de dívida elevada.

Para um governo Lula, o banco destaca Cury Construtora, Embraer, WEG e BTG Pactual. A seleção prioriza empresas que, na avaliação do Citibank, podem manter desempenho em condições variadas de mercado. Para um eventual governo Flávio, aparecem Cyrela, Assaí, Hapvida, Petrobras, Vale e B3, companhias associadas a um cenário de juros menores e maior consumo ou investimento.

A corrida eleitoral, a alta do petróleo e o fluxo para empresas brasileiras de commodities também coincidem com a valorização de ativos domésticos. Parte do mercado considera que uma alternância de poder poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida. Uma percepção de maior controle da dívida reduziria o prêmio exigido para financiar o governo e diminuiria a pressão sobre os juros.

Mercado reage às pesquisas

Em agosto, analistas do JPMorgan apontavam o cenário político como fator de pressão sobre ações e moeda americana. A Bolsa caiu 0,32%, enquanto o dólar avançou 2,21%. Em setembro, o movimento mudou: o Ibovespa subiu 6,4%, e o dólar recuou 0,25%.

Dados da B3 mostram saldo positivo de R$ 9,6 bilhões entre compras e vendas de ações por investidores estrangeiros em setembro até o dia 22. Em agosto, houve saída de R$ 18,1 bilhões. No ano, o saldo acumulado é positivo em R$ 32,6 bilhões.

A evolução coincide com o estreitamento da disputa. No levantamento do Datafolha divulgado em 21 de agosto, Lula tinha 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em 24 de setembro, os percentuais eram 40% e 36%, respectivamente. A diferença estava dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Ainda há incerteza sobre os programas econômicos. Flávio Bolsonaro defende ajuste fiscal sem alterar a Previdência ou a política de valorização do salário mínimo. O governo Lula propõe desacelerar o crescimento das despesas obrigatórias e aperfeiçoar o arcabouço fiscal. Economistas avaliam que um ajuste duradouro teria de alcançar aposentadorias e benefícios sociais.

A XP afirma que períodos eleitorais aumentam a volatilidade, mas que a dispersão historicamente cresce mais depois da votação, quando ficam definidos a equipe econômica, as políticas e os primeiros sinais sobre os gastos públicos.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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