A reforma de dois prédios históricos do Fed, em Washington, chegou a um custo estimado de aproximadamente US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões), cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) acima do previsto. Um relatório da inspeção-geral da instituição apontou falhas na supervisão do projeto, mas não encontrou evidências de crime ou de má conduta administrativa.
A avaliação concluiu que não havia fundamento para encaminhar o caso à Justiça. “Em nenhum momento durante nossa avaliação encontramos fundamentos razoáveis para acreditar que tivesse ocorrido uma violação da legislação criminal federal que exigisse o encaminhamento do caso ao procurador-geral dos EUA”, afirmou o órgão.
Mesmo após a divulgação, Trump voltou a pressionar Powell pela saída dele do conselho do Fed. “Se ele não renunciar, deveria ser processado nas instâncias mais altas”, escreveu o presidente na Truth Social. Em outra declaração, Trump disse que Powell não deveria administrar a política de juros altos.
Problemas na contratação
Segundo a inspeção, uma supervisão interna mais rigorosa poderia ter contido parte do aumento. O Fed conduziu um contrato que deveria estabelecer um preço máximo garantido para a obra, mas esse limite nunca foi fixado. Os gestores continuaram aprovando subcontratações, o que elevou os custos e ampliou o prazo da reforma.
Os sistemas hidráulico e de climatização custaram US$ 346 milhões (R$ 1,79 bilhão), o triplo da estimativa inicial. O relatório também afirmou que itens apontados pela Casa Branca e por aliados de Trump como melhorias luxuosas, entre eles mármore, elementos de água e um terraço com jardim, “não contribuíram de forma relevante” para o estouro do orçamento.
Powell havia atribuído os gastos adicionais a dificuldades inesperadas, como a retirada de amianto, e ao aumento dos custos de materiais e mão de obra. Parte da construção avançou profundamente no subsolo. O próprio Powell pediu uma nova análise da obra e das despesas.
Disputa entre Trump e Powell
Trump indicou Powell para a presidência do Fed no fim de 2017 e começou a criticá-lo publicamente no ano seguinte, por considerar insuficiente o ritmo de redução dos juros. Em julho de 2025, visitou o local da reforma e, diante das câmeras, Powell contestou o valor do aumento de custos citado pelo presidente.
A disputa avançou em janeiro de 2026, quando a Procuradoria dos Estados Unidos no Distrito de Colúmbia intimou o conselho do Fed a fornecer dados sobre as despesas e sobre um depoimento de Powell ao Congresso. Powell afirmou que o Departamento de Justiça havia ameaçado indiciá-lo criminalmente e classificou a iniciativa como uma tentativa de intimidação.
Em março, um juiz federal anulou as intimações. A investigação do Departamento de Justiça foi encerrada, e o caso acabou encaminhado à inspeção-geral do Fed. Powell deixou a presidência do banco central em maio, mas continuou no conselho, com mandato ainda vigente.
Em abril, na última entrevista coletiva como presidente do Fed, Powell justificou a permanência no conselho até o encerramento definitivo da investigação. O atual presidente do Fed, Kevin Warsh, disse que adotará as recomendações do relatório e contratará uma auditoria independente para verificar a exatidão e a conformidade dos custos aprovados.


