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Economia

Bloqueio no Brasil reduz liquidez de mercados de previsão eleitoral

Kalshi e Polymarket mantêm projeções sobre a eleição brasileira, mas admitem que a proibição afeta os dados e a participação.

Bloqueio no Brasil reduz liquidez de mercados de previsão eleitoral
Foto: Martin Lelievre/AFP

Kalshi e Polymarket continuam exibindo projeções sobre as eleições brasileiras, apesar de proibidas no país. As empresas afirmam que a restrição reduziu a participação de usuários e prejudicou a qualidade dos dados produzidos pelos mercados de previsão.

O governo proibiu essas plataformas em abril, antes de derrubar o mercado regular de bets em setembro. A justificativa foi que os sites ofereciam prognósticos esportivos sem seguir as regras aplicadas às casas de apostas. As plataformas também oferecem contratos relacionados a eleições, jogos, reality shows e celebridades.

Como funcionam as plataformas

Kalshi e Polymarket dizem que seu principal produto é a projeção estatística sobre eventos futuros. Diferentemente das pesquisas eleitorais tradicionais, que consultam uma amostra distribuída de forma semelhante à população, esses mercados reúnem palpites de pessoas que apostam dinheiro.

A disposição de pagar seria uma forma de validar o posicionamento, segundo Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi. Para funcionar, porém, o modelo depende de liquidez, com participantes suficientes para comprar e vender contratos sobre a vitória de cada candidato. A proibição no Brasil restringe esse fluxo e cria uma falha de mercado, segundo as empresas.

O volume apostado nas eleições brasileiras nas duas plataformas equivale a 4,5% do registrado na disputa entre Donald Trump e Kamala Harris pela Presidência dos Estados Unidos em 2024, quando os serviços ainda tinham menor alcance internacional.

Na Polymarket, a média diária de transações relacionadas ao futuro da eleição brasileira caiu 89,6% após a proibição. O cálculo considera 73.568 operações neste ano. Como as movimentações ficam registradas em blockchain, é possível acompanhar os dados da plataforma. A Kalshi não informa quantas pessoas participam de cada seção.

Contratos e projeções

A maior aposta eleitoral ativa na Polymarket é a favor da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O usuário unknwnfnd colocou US$ 1,01 milhão (R$ 5,26 milhões) na vitória do presidente quando a estimativa era de 48%.

Com a queda da probabilidade para 41% neste sábado (3), o usuário teria uma perda de US$ 67 mil (R$ 349,1 mil) caso vendesse os contratos. Flávio Bolsonaro aparece à frente, com 59% de chance de vitória.

Renan Santos, do Missão, tinha 17 apostas superiores a US$ 100 mil neste sábado. O número supera o de Lula, com 8, e o de Flávio Bolsonaro, com 7. A quantidade de grandes apostas, contudo, não define a probabilidade atribuída a cada candidato. Nos mercados de previsão, essa chance corresponde ao preço dos contratos, que varia conforme a oferta e a demanda.

Debate sobre precisão

O método é questionado por cientistas políticos e estatísticos pela falta de material científico independente que valide as projeções eleitorais. Kalshi e Polymarket afirmam ter sido as plataformas que acertaram a vitória de Trump nas eleições de 2024.

Luana Lopes Lara defende que os mercados preditivos são uma alternativa às pesquisas eleitorais. Ela afirma que os dados são qualitativamente superiores e argumenta que pesquisas convencionais enfrentam baixas taxas de resposta e problemas de transparência metodológica.

Glauco Peres, professor de métodos quantitativos do Departamento de Ciências Sociais da USP, avalia que as plataformas ainda não comprovaram, em estudos independentes, capacidade de prever resultados futuros com precisão.

Uma pesquisa publicada pelo NBER apontou precisão semelhante à de derivativos do mercado financeiro e de pesquisas de opinião na previsão de juros. Estudos de Robert Bartlett, da Universidade de Stanford, e Maureen O’Hara, da Universidade Cornell, identificaram, em eventos ligados a empresas ou pessoas específicas, indícios de que formadores de mercado podem lucrar mais que outros investidores e um viés na compra de contratos positivos.

No campo eleitoral, o levantamento por amostragem continua sendo referência em diversos campos do conhecimento.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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