NOVA YORK — A produção de petróleo da Venezuela teve alta ligeira em agosto, conforme dados da Opep, enquanto empresas brasileiras ampliam sua presença no setor do país. Nesse movimento, a Eneva assinou nesta semana um memorando de entendimento com a americana Halliburton para identificar áreas de desenvolvimento petrolífero.
O acordo formaliza conversas mantidas pelas empresas durante meses e foi anunciado por Caracas. Os termos não foram divulgados. A partir da assinatura, a Eneva passa a prospectar oficialmente oportunidades na Venezuela. Executivos da companhia têm viajado com frequência à capital venezuelana, segundo diplomatas que acompanham o tema.
Produção e abertura do setor
A Opep informou que a Venezuela produziu 1,2 bilhão de barris por dia em agosto, ante uma média de 1,08 bilhão de barris por dia no ano passado. O dado é um dos poucos indicadores públicos sobre a evolução do setor desde janeiro.
A reabertura ocorre sob tutela dos Estados Unidos, iniciada em janeiro com a captura de Nicolás Maduro. No fim de agosto, Caracas e Washington firmaram um acordo pelo qual os Estados Unidos assumiram o controle majoritário de mais de 21% das reservas venezuelanas. Donald Trump afirmou que o entendimento levaria mais de US$ 100 bilhões, cerca de R$ 500 bilhões, em investimentos ao país.
Executivos da estatal PDVSA participaram neste mês de uma reunião de energia do G20 no Texas, a convite do governo Trump. A presença venezuelana no encontro foi apresentada como parte da nova fase de aproximação do setor com empresas e governos estrangeiros.
A Eneva é a maior operadora privada de gás natural do Brasil e tem o BTG Pactual como acionista individual majoritário. Com a entrada da companhia, ela se torna a segunda grande empresa brasileira a aproveitar a reabertura econômica venezuelana, depois da JBS.
Empresas brasileiras e riscos
A empresa dos irmãos Batista comprou uma participação de quase 50% da Petrororaima, que atua na região do Orinoco. A Alvorada Heavy Industries Ltda., apoiada pela Galapagos Capital, também aumentou a produção em três blocos no Orinoco e negocia novas áreas.
A Venezuela prepara, com apoio de empresas como a Eneva, a chamada Semana da Energia, prevista para fevereiro do ano que vem. O evento pretende reunir governos, executivos de companhias petrolíferas nacionais e internacionais e especialistas técnicos.
Investidores e consultores de risco ainda demonstram dúvidas sobre a segurança jurídica dos acordos. A condução dos negócios permanece ligada à estrutura de governo da época de Nicolás Maduro, agora sob a liderança de Delcy Rodríguez. A influência americana reduz, mas não elimina, as preocupações, segundo fontes do setor.
Delcy Rodríguez esteve nesta semana em Nova York para a Assembleia-Geral da ONU e encontros bilaterais. Em reunião com Donald Trump, afirmou que energia e mineração estavam entre os temas prioritários. Enquanto a abertura econômica avança, uma missão de observadores independentes da ONU criticou a lentidão do distensionamento político e relatou que o aparato repressivo venezuelano permanece intacto. María Corina Machado, que está no exterior, continua impedida de retornar ao país.


