SÃO PAULO E BRASÍLIA — O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Dono da Entre Investimentos, ele também assinou em setembro deste ano um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A Polícia Federal afirma que a Entre Investimentos e Participações funcionava como um braço operacional de Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, Freixo fazia remessas financeiras definidas pelo banqueiro e obtinha dinheiro em espécie, que em algumas ocasiões era transportado em malas.
Remessas ao exterior e o filme “Dark Horse”
Parte dos recursos transferidos pela Entre foi enviada ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, conforme a investigação. O dinheiro seria usado para financiar “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas as autoridades suspeitam que parte dos valores possa ter sido destinada a Eduardo Bolsonaro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os recursos remetidos ao exterior pelo Grupo Entre para custear a produção podem ter origem em lavagem de dinheiro. “Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso”, disse Durigan nesta quinta-feira (24).
Freixo foi o segundo empresário a fechar delação sobre o Master na PGR. Em janeiro deste ano, ele havia sido alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no banco. João Carlos Mansur, da Reag, e o investidor Nelson Tanure também estavam entre os alvos daquela etapa.
No dia 27 de março, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A. e de outras empresas do Grupo Entre, cujo CEO é Freixo Júnior. Em 2022, ele havia criado a Entrepay, voltada à infraestrutura de meios de pagamento para empresas.
Atuação no mercado financeiro
A carreira de Freixo começou no Banco Nacional, onde trabalhou como office-boy aos 14 anos, em uma agência de Santa Rita do Sapucaí (MG). Natural de Pouso Alegre (MG), ele cursou administração de empresas pela Faap e depois ingressou no Banco Garantia.
No Garantia, atuou na liquidação e participou da montagem de uma tesouraria internacional. O empresário também afirma ter estruturado uma operação offshore da instituição nas Bahamas. Após a compra do Garantia pelo Credit Suisse, continuou trabalhando no país caribenho e retornou ao Brasil em 2004. Permaneceu no Credit Suisse até 2017, pouco antes de fundar o Grupo Entre.
Em 2024, a Entrepay movimentou R$ 12,8 bilhões em transações, alta de mais de 60% ante o ano anterior, segundo dados da própria companhia. A Receita Federal calcula o capital social da empresa em R$ 581 milhões.
Freixo, a Entre Investimentos e empresas ligadas a Vorcaro também são alvo de uma ação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre operações com cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. A área técnica da autarquia apontou indícios de superavaliação de ativos e geração artificial de liquidez para beneficiar partes relacionadas. Os envolvidos negam irregularidades.
A Entrepay ainda teve relação societária indireta com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e integrante do quadro societário do Master, por meio da Consiglog. Em março, o Grupo Entre afirmou que sua participação era minoritária e apenas financeira, sem ingerência operacional ou estratégica.
Freixo também participou de um leilão de recuperação judicial dos ativos digitais da Editora Três, por R$ 15 milhões, e passou a controlar os portais IstoÉ e IstoÉ Dinheiro. Entre as empresas incorporadas ao grupo estão Leads Securitizadora, Pmovil, Wealth Money e Linked Gourmet.



