São Paulo, Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
Notícia com critério
Economia

Fuji Electric adapta refrigeração de máquinas para data centers de IA

Empresa japonesa afirma que sistema com ejetor de CO₂ pode reduzir em até 85% o consumo de energia em data centers.

Fuji Electric adapta refrigeração de máquinas para data centers de IA
Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

A Fuji Electric adaptou a tecnologia de refrigeração usada em máquinas de venda automática para atender data centers de inteligência artificial. A empresa afirma que o sistema pode reduzir o consumo de energia em até 85% e planeja vender mais de 10 bilhões de ienes (US$ 61 milhões) em sistemas de ejetores para esse mercado até 2030.

A solução tem origem em um projeto iniciado após o acidente nuclear de Fukushima em 2011. Na época, as máquinas de venda automática foram criticadas pelo desperdício de energia. Em 2015, engenheiros da empresa desenvolveram um ejetor com refrigerante de CO₂, que dispensa o uso de compressor e reduziu o gasto energético em 20%.

Sistema aproveita calor residual

Enquanto os sistemas convencionais dependem de compressores acionados por eletricidade de alta potência, o ejetor da Fuji Electric utiliza calor residual para impulsionar o fluido por um bocal de precisão. A solução não era viável para máquinas de venda automática por causa do custo, mas encontrou aplicação na infraestrutura de tecnologia da informação.

“Simplesmente estender a tecnologia convencional não teria sido suficiente”, afirmou Hideto Shirai, que lidera os esforços da Fuji Electric para vender o sistema a data centers.

A tecnologia pode ser integrada a estruturas de resfriamento líquido, modalidade que circula o fluido refrigerante diretamente em componentes que geram calor, como CPUs e GPUs. O setor vem migrando de sistemas tradicionais baseados em água, glicol ou hidrofluoroolefinas.

O ejetor apresenta melhor desempenho em regiões de temperaturas elevadas. Isso abre possibilidade de uso em áreas do Japão onde o calor do verão supera 35°C e no Sudeste Asiático.

A adoção em larga escala, porém, enfrenta obstáculos. Analistas afirmam que grandes operadores já definiram as arquiteturas de seus data centers para os próximos anos, o que dificulta a entrada de novos fornecedores. A Fuji Electric também concorre com chillers de absorção movidos a calor residual, fabricados pelas japonesas Kawasaki, Ebara e Yazaki.

Alex Cordovil, diretor de pesquisa do grupo Dell’Oro, classificou a tecnologia como “promissora”, mas disse que ela ainda está em fase “genuinamente embrionária”. Ryo Harada, analista do Goldman Sachs, questionou a capacidade de a Fuji Electric acessar o mercado norte-americano. Para ele, gigantes de tecnologia já definiram suas arquiteturas de próxima geração para os próximos dois ou três anos, período necessário para que novos fornecedores ganhem relevância.

As ações da Fuji Electric subiram quase 47% no último ano, impulsionadas pelo papel da empresa na cadeia de suprimentos de inteligência artificial.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.