SÃO PAULO — A fusão entre Yduqs e Afya deve gerar uma economia de R$ 2,2 bilhões e formar uma empresa com receita anual estimada em aproximadamente R$ 9,4 bilhões. A companhia combinada também terá 5.888 vagas anuais de medicina, conforme os números atuais, e presença nos 26 estados do Brasil.
A operação foi anunciada nesta quarta-feira (23) e ainda precisa ser aprovada pelas estruturas de governança das duas empresas, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelos acionistas. A expectativa é concluir o negócio em até 12 meses.
Sinergias e aprovação
A economia projetada deverá vir da redução e da reorganização de despesas, incluindo a consolidação de sistemas de tecnologia. Alexandre Aquino, vice-presidente financeiro da Yduqs, afirmou que as empresas contrataram uma consultoria para comparar práticas e identificar oportunidades de integração.
“não vou ter dois sistemas para atender os alunos, então a gente consegue captar sinergias quando tem essas fusões de grande porte”, disse Aquino em teleconferência com investidores e analistas nesta quinta-feira (24).
As companhias terão 15 dias para apresentar ao Cade o pedido de combinação de negócios. Rossano Marques, CEO da Yduqs, disse confiar na aprovação pelo órgão antitruste e afirmou que as empresas têm portfólios de produtos e distribuição geográfica complementares.
As assembleias gerais extraordinárias para avaliar a operação estão previstas para novembro, com edital de convocação em outubro.
Estrutura da operação e dividendos
Pelo acordo, a Yduqs incorporará a Afya, que tem sede nas Ilhas Cayman e ações negociadas em Nova York, na Nasdaq. Os acionistas da Afya ficarão com 69% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Yduqs terão 31%.
A relação de troca foi definida com base nos balanços de 30 de junho e não será alterada por mudanças na dívida, nos resultados ou na cotação das ações até o fechamento do negócio.
O contrato prevê a distribuição de caixa das duas empresas aos acionistas por meio de dividendos entre a assinatura e a conclusão da operação. Para a Yduqs, o valor mínimo previsto é de R$ 750 milhões. Marques disse que ainda não há definição sobre o momento do pagamento e que a empresa deverá manter a distribuição tradicional de proventos entre o primeiro e o segundo trimestre do próximo ano.
O dividendo relacionado à fusão deve ficar para o fim do prazo da aquisição, até setembro de 2027.
Perfil das empresas
Originária do Tocantins, a Afya possui 32 campi de medicina. A Yduqs, sediada no Rio, tem 19. A Afya atua na graduação em medicina e em outros cursos da saúde, além de pós-graduação, preparatórios para residência médica e aplicativos para médicos, como Whitebook e iClinic.
A Afya foi fundada em 1999 com a NRE Educacional e adotou a marca atual em 2019, após a fusão com a Medcel. Sua receita líquida foi de R$ 3,8 bilhões nos 12 meses até junho de 2026, e a empresa tinha 9.395 funcionários até dezembro de 2025.
A Yduqs foi criada a partir da Faculdade de Direito Estácio de Sá, fundada em 1970. A holding foi constituída em 2007 como Estácio Participações e passou a usar o nome Yduqs em 2019. O grupo tem cerca de 1,4 milhão de estudantes, mais de 830 mil deles na graduação, 113 campi e quase 2.500 polos de ensino a distância. Também reúne 2.120 vagas anuais de medicina e cerca de 11 mil alunos nesse curso.


