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Economia

Desemprego juvenil cai, mas permanece acima do dobro entre trabalhadores mais velhos

Estudo do FGV Ibre mostra avanços na renda e na escolaridade, enquanto jovens enfrentam maior desemprego e informalidade.

Desemprego juvenil cai, mas permanece acima do dobro entre trabalhadores mais velhos
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

A taxa de desemprego entre brasileiros de 18 a 29 anos caiu para 9,2% no segundo trimestre de 2026, mas ainda ficou acima do dobro da registrada entre trabalhadores de 30 a 59 anos, de 3,8%. A média nacional foi de 5,4%, segundo estudo de Paulo Peruchetti e Janaína Feijó, pesquisadores do FGV Ibre, com base na Pnad Contínua, do IBGE.

A menor taxa para os jovens havia sido registrada nos três últimos meses de 2025, quando chegou a 8,8%. O levantamento mostra que a melhora do mercado de trabalho alcançou essa faixa etária, mas não eliminou a diferença em relação aos profissionais mais velhos.

No período analisado, a renda média mensal do trabalho entre os jovens foi de R$ 2.593. Esse foi o segundo maior valor da série histórica iniciada em 2012; o recorde havia ocorrido nos três meses anteriores. Ainda assim, o rendimento ficou 37,8% abaixo do recebido pelo grupo de 30 a 59 anos, cuja média foi de R$ 4.167, e 30,6% abaixo da média nacional, de R$ 3.738.

A escolaridade avançou no mesmo intervalo. A parcela de jovens com ensino superior completo passou de 11% no primeiro trimestre de 2012 para 16,8% no segundo trimestre de 2026. Já a proporção sem instrução ou com ensino fundamental incompleto recuou de 17,6% para 5,6%.

Educação e entrada no mercado

Peruchetti calcula que, sem essa mudança educacional, a renda média dos jovens seria de R$ 2.381 por mês, cerca de 8% inferior ao valor observado. A estimativa considera a hipótese de manutenção dos níveis de ensino registrados em 2012.

A estudante Emily Carla, 20, conseguiu uma bolsa integral em uma faculdade privada de jornalismo depois de estudar em escolas públicas de bairros periféricos e participar de cursos e projetos de formação. Ela relata ter sido impedida de avançar em processos seletivos por estudar em período integral ou não possuir a escolaridade exigida. “Precisei lidar com vários ‘nãos’ até conseguir uma oportunidade”, afirmou a jovem de Osasco, na Grande São Paulo.

A qualificação também aparece na trajetória de Thaina Silva, 25. Após deixar o trabalho como cuidadora de idosos durante uma gravidez de risco, ela passou a vender bolos de pote e cachorro-quente em casa, em São Paulo. Cursos de cozinha e finanças do IAG ajudaram na abertura de uma lanchonete. Nove meses depois, ela ampliou o ponto e avançou na formalização do negócio.

Informalidade e novas tecnologias

A informalidade atingiu 37,4% dos jovens no segundo trimestre de 2026, mesmo nível da média nacional e acima dos 34,8% observados entre trabalhadores de 30 a 59 anos. A medida inclui ocupados sem carteira assinada ou CNPJ, além de trabalhos eventuais.

De acordo com o estudo, a menor experiência e a informalidade ajudam a explicar a diferença de rendimento. Balconistas e vendedores de lojas reuniam 1,7 milhão, ou 6,6% do total, seguidos por escriturários gerais, com 1,5 milhão, ou 6,1%, e trabalhadores elementares da construção de edifícios, com 617,8 mil, ou 2,5%.

Peruchetti afirma que a educação tende a ganhar importância com o avanço da inteligência artificial e as mudanças no trabalho. Ele também avalia que jovens sem experiência podem enfrentar dificuldades de adaptação às novas tecnologias.

Para Ely José de Mattos, professor da Escola de Negócios da PUC-RS, a taxa maior de desemprego entre jovens é histórica. Segundo ele, no Brasil, a passagem entre escola e trabalho é menos tranquila do que em países desenvolvidos. O professor também afirma que a inteligência artificial já substitui funções técnicas de nível júnior em áreas de tecnologia da informação.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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