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Economia

Teste oral revela diferença de gênero no domínio financeiro entre estudantes

Pesquisa com alunos do ensino médio associou o desempenho em finanças à exposição familiar e escolar, e não a diferenças naturais de capacidade.

Teste oral revela diferença de gênero no domínio financeiro entre estudantes
Foto: Arquivo pessoal

Um estudo com estudantes do ensino médio identificou uma diferença de 14,3 pontos percentuais entre meninos e meninas no domínio de conceitos básicos de finanças. A pesquisa indica que essa distância já aparece na adolescência e pode estar relacionada à forma como os jovens são expostos ao tema em casa e na escola.

O levantamento foi conduzido por pesquisadores da FGV-EESP, da Universidade Stanford e da Universidade Federal do Maranhão, por meio do projeto Equidade Info, financiado por Stanford e outros parceiros institucionais. Participaram 516 alunos de 43 escolas em 23 estados, em instituições públicas e privadas de áreas urbanas e rurais. A amostra foi considerada nacionalmente representativa.

Desempenho nos testes

Os estudantes responderam oralmente a perguntas sobre inflação, diversificação de risco, cálculo básico e juros compostos. O formato buscou avaliar diretamente o domínio dos conceitos, sem exigir respostas escritas ou interpretação de textos complexos.

Entre os alunos, 43,9% demonstraram domínio de pelo menos três das quatro áreas avaliadas. Entre as adolescentes, o índice foi de 29,6%. Considerando as perguntas individualmente, as estudantes tiveram uma chance 9 pontos percentuais menor de acertá-las.

A metodologia diferiu da usada pelo Pisa, avaliação educacional que, até suas edições mais recentes, não havia identificado diferenças significativas entre os sexos em letramento financeiro. Na avaliação dos pesquisadores, o uso de textos complexos e respostas por escrito pode influenciar o resultado, já que as alunas tradicionalmente têm desempenho superior nessas habilidades. O teste oral, com perguntas diretas, retirou esse filtro.

Influência da escola e da família

Guilherme Lichand, professor de educação da Universidade Stanford, relacionou a diferença à exposição a conceitos financeiros no ambiente doméstico e escolar. “O que podemos falar categoricamente é que nenhuma dessas discrepâncias é de berço”, afirmou.

Outra hipótese mencionada por Lichand envolve o desempenho em matemática. Ele citou uma pesquisa publicada na revista Nature com alunos franceses, segundo a qual meninos e meninas apresentavam pontuações muito semelhantes ao ingressar no primeiro ano do ensino fundamental. Após quatro meses de escolaridade, porém, a diferença a favor dos meninos se tornava significativa.

O professor também mencionou o efeito das expectativas dos docentes sobre a aprendizagem. Para ele, crenças sobre a capacidade das meninas podem influenciar a própria confiança delas para aprender matemática.

A diferença observada na adolescência já havia aparecido em pesquisas com adultos. Nesses levantamentos anteriores, a distância era associada à divisão dos papéis domésticos depois do casamento e à concentração de mulheres em vagas menos relacionadas a finanças.

Experiências relatadas por educadores

Lucia Stradiotti, Head de Educação e Metodologia da Dinx, plataforma de educação financeira para crianças, afirmou que a construção dessa diferença pode começar na infância. Para ela, pais podem reproduzir padrões herdados sem perceber e tratar meninos e meninas de formas distintas ao falar sobre dinheiro.

A professora e palestrante Andrea Gaui, 47, relatou diferenças na relação dos filhos Bianca, 9, e Henrique, 13, com o dinheiro. Segundo ela, a filha costumava gastar o que recebia e passou a aprender a poupar, enquanto o filho demonstrava preocupação maior com a economia desde mais novo. A mãe associou parte dessa diferença aos exemplos e às expectativas presentes em casa.

O professor de matemática e gerente de negócios acadêmicos da Casio Educação, Jalman Lima, 40, disse notar diferenças no repertório trazido de casa e na confiança de meninos e meninas para participar das discussões em sala. “Não se trata de uma diferença natural de capacidade”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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