O avanço dos Houthis sobre a cidade portuária de Dhubab e a ilha de Perim aproximou o grupo do controle do acesso ao Mar Vermelho. Os dois pontos ficam no sudoeste do Iêmen, na área do Estreito de Bab el-Mandeb, rota que conecta o Mar Vermelho ao Hemisfério Oriental.
A movimentação ocorreu na sexta-feira (11), depois de os Houthis tomarem Moca. O grupo afirmou que o tráfego pelo estreito continuava seguro e sem interrupções. Hazem al-Assad, integrante do bureau político Houthi, declarou: “A liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e em Bab al-Mandab estão seguros e sob controle.”
Nesta segunda-feira (14), a Defesa Civil saudita emitiu alertas de perigo em quatro cidades do sul da Arábia Saudita. O porta-voz militar dos Houthis também anunciou um ataque à Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, com instalações e infraestrutura militar como alvos.
Posição do Irã
O governo iraniano negou envolvimento na guerra entre os Houthis, as forças governamentais do Iêmen e a Arábia Saudita. Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, disse que o grupo atua de forma independente e toma decisões conforme seus próprios interesses. “O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”, afirmou.
Baqaei informou ainda que o governo saudita pediu o adiamento de uma reunião entre Teerã e as potências do Golfo. O encontro trataria de um acordo com Omã para regulamentar rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz.
O porta-voz iraniano também criticou a decisão da Áustria de impedir a participação de Mohamad Eslami, chefe do setor nuclear do Irã, em uma conferência anual na sede da agência de energia atômica da ONU, em Viena. Para Baqaei, a medida foi injustificável e ocorreu sob pressão dos Estados Unidos.
Os Houthis controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. O grupo declarou um bloqueio naval contra Riad em julho e, desde então, lançou ataques contra navios sauditas no Mar Vermelho. A escalada levou 46 mil pessoas a deixar suas casas no Iêmen, segundo a ONU.


