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Economia

Calor extremo já reduz renda e amplia despesas em diferentes economias

Estudos calculam perdas na renda, alta de seguros e impactos sobre produção, alimentos e infraestrutura em países afetados pelo aquecimento global.

Calor extremo já reduz renda e amplia despesas em diferentes economias
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

O aquecimento do planeta já produz efeitos econômicos que vão além dos danos visíveis de ondas de calor e incêndios. Estudos recentes associam as mudanças climáticas à redução da renda, ao aumento de despesas domésticas e à perda de produtividade em diferentes países.

Uma pesquisa de 2026 da MIT Sloan School of Management e da UCLA School of Law calculou que o fenômeno acrescentou 900 dólares, cerca de R$ 4,6 mil, às despesas anuais médias das famílias americanas. Em um de cada dez condados dos Estados Unidos, o valor passa de 1,3 mil dólares.

Entre os gastos considerados estão os seguros residenciais, que ficaram em média 600 dólares mais caros, além de impostos estaduais e federais relacionados à recuperação de desastres e aos efeitos da fumaça de incêndios florestais sobre a saúde. Para os pesquisadores, “a inação climática não é apenas um fracasso ambiental; ela funciona como um imposto sobre todas as famílias americanas”.

Efeitos sobre salários e cadeias de produção

Derek Lemoine, professor de economia da Universidade do Arizona, estimou uma queda de 12% na renda dos americanos em comparação com um cenário sem mudanças climáticas. Para ele, medir os custos já observados é necessário para projetar os impactos futuros.

A análise considera que um evento extremo em uma localidade pode afetar regiões distantes. Uma onda de calor que destrua plantações de milho em grande parte dos Estados Unidos, por exemplo, tende a encarecer a commodity e atingir produtores de gado, fabricantes de alimentos e outros setores dependentes dela. O aumento das despesas ao longo dessa cadeia reduz a renda de quem participa dela, segundo Lemoine.

Na Alemanha, níveis recordes de baixa do rio Reno também ameaçam a atividade econômica. O Instituto Kiel para a Economia Mundial avaliou, em julho, que a situação pode reduzir em até 0,2% a produção alemã no terceiro trimestre de 2026.

A estiagem prolongada reduziu a capacidade de transporte para apenas 15% em alguns trechos do rio, que liga o porto de Roterdã, na Holanda, a áreas extensas do oeste alemão. O Reno é a via navegável interior mais movimentada da Europa.

Perdas acumuladas na Austrália

Um relatório do Instituto para Risco e Resposta Climática da Universidade de New South Wales concluiu que o aquecimento global diminuiu em cerca de 18% a produção econômica do estado de NSW, na Austrália. O cálculo equivale a 21.288 dólares australianos, aproximadamente R$ 80 mil por pessoa em 2024.

Timothy Neal, pesquisador da instituição e coautor do estudo, afirmou que, sem o aquecimento global, os moradores teriam “preços mais baixos para os alimentos” e menos pobreza. O levantamento também relaciona secas ocorridas em partes de NSW em meados e no fim da década de 2010 a perdas de até 10 bilhões de dólares australianos, provocadas pela redução das colheitas e da renda agrícola, pelo encarecimento da água e pela maior dependência de auxílio governamental.

Os efeitos se acumularam em áreas como alimentação, seguros e manutenção de infraestrutura. O relatório afirma que o processo amplia desigualdades entre regiões ao pressionar problemas econômicos já existentes.

Adaptação e custo futuro

Frank Jotzo, economista e comissário da Comissão Net Zero de NSW, defendeu investimentos em estradas, ferrovias e transporte marítimo para adaptar a infraestrutura ao aumento das temperaturas. Ele também citou a expansão de áreas verdes nas cidades e o reforço dos sistemas de saúde e da rede hospitalar como medidas para reduzir os impactos das ondas de calor.

Na Europa, as ondas de calor de 2026 já provocaram custos estimados em 180 bilhões de euros, ou R$ 1,06 trilhão. O valor corresponde ao crescimento econômico projetado para a União Europeia no ano.

A adaptação, porém, também exige recursos e pode não conter os efeitos econômicos se for aplicada de maneira limitada, avaliou Lemoine. Segundo ele, a proteção precisa alcançar todos os lugares para reduzir os impactos em cadeia.

A combinação de adaptação e redução rápida das emissões é apontada como necessária para evitar perdas maiores de renda. Jotzo afirmou que um cenário de mudanças climáticas sem controle manteria pressão sobre salários e produtividade, especialmente se o aquecimento global ultrapassar as metas do Acordo de Paris.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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