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Economia

Garantias podem liberar R$ 10 bilhões para negócios sustentáveis, diz Climate Ventures

Iniciativa busca reduzir barreiras de crédito para projetos sustentáveis, enquanto empresas ajustam operações aos riscos climáticos.

Garantias podem liberar R$ 10 bilhões para negócios sustentáveis, diz Climate Ventures
Foto: Divulgação NIL

Uma ferramenta em processo de regulamentação pode destravar cerca de R$ 10 bilhões para negócios sustentáveis, segundo a Climate Ventures. O mecanismo de garantia é desenvolvido pela iniciativa Nature Investment Lab para reduzir a percepção de risco dessas empresas e ampliar o acesso a recursos do Fundo Clima. O desenho teve a colaboração de especialistas e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), afirma Daniel Contrucci, cofundador e diretor de informação da organização.

Projetos sustentáveis enfrentam dificuldades para atender às exigências de bancos e seguradoras porque, muitas vezes, não têm histórico suficiente para a avaliação financeira. Contrucci afirma que a falta de parâmetros pode resultar na cobrança de seguros ou garantias elevados, comprometendo o crédito. Ele cita a dificuldade de obter seguros para viveiros de mudas de projetos de reflorestamento.

A Climate Ventures também afirma que empresas apoiadas passaram a antecipar os efeitos do clima sobre suas operações. A Inocas (Innovative Oil and Carbon Solutions), que cultiva a palmeira macaúba para recuperar pastagens, mudou a janela de plantio para períodos de maior segurança hídrica e adotou mudas mais resistentes.

Na pecuária, a Caaporã se prepara para o El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas do oceano Pacífico. A empresa ampliou a produção de forrageiras durante a estação chuvosa e passou a armazenar milho e sorgo para enfrentar períodos de seca.

Risco climático nas empresas

A incorporação das mudanças climáticas às decisões de investimento e à avaliação de ativos ainda é um desafio para empresas de setores tradicionais, afirma a Climate Ventures. A economista Maria Eugênia Buosi, diretora de projetos da organização, atribui parte do problema ao uso de séries históricas que podem não acompanhar a velocidade das transformações recentes.

Mudanças rápidas nos padrões de chuva e temperatura podem perder peso em análises baseadas em períodos de décadas. Para Buosi, a avaliação deveria reunir dados históricos e projeções sobre o comportamento futuro do clima. “Ainda vemos uma dificuldade das empresas de colocar isso dentro dos cálculos de risco e de valoração dos ativos, mas precisa entrar cada vez mais, principalmente em novos projetos”, afirma.

A exposição é mais clara em agronegócio, energia e infraestrutura, mas também alcança indústrias e empresas de serviços. A resistência inclui a dificuldade de reconhecer que eventos extremos podem persistir, além da falta de informações detalhadas, organizadas e confiáveis.

A divulgação da exposição climática não é obrigatória, porque a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) retirou em maio a exigência de publicação de relatórios de sustentabilidade. Para Buosi, a classificação do clima como fator não financeiro perde força quando os impactos chegam aos balanços. “São riscos pré-financeiros. Eles vão bater no resultado, vão levar ao aumento do custo operacional, a uma redução de receita.”

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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