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Economia

Nubank amplia carteira e mira alta renda enquanto inadimplência sobe

Fintech registrou crescimento do crédito e do lucro, mas enfrenta atrasos maiores e endividamento elevado entre consumidores.

Nubank amplia carteira e mira alta renda enquanto inadimplência sobe
Foto: Divulgação/Nubank

O Nubank alcançou 139 milhões de clientes no mundo, dos quais 118 milhões estão no Brasil, enquanto amplia a oferta de crédito e busca conquistar consumidores de alta renda. O avanço ocorre em um cenário de maior inadimplência entre pessoas físicas e de endividamento elevado das famílias.

A instituição informou que bancarizou 31,5 milhões de pessoas no Brasil, o equivalente a quase 1 em cada 5 adultos do país. Ainda conforme os dados apresentados pelo Nubank, 6 em cada 10 adultos são clientes da fintech. Em Roraima, Amapá e no Distrito Federal, a proporção supera 73%.

Crédito e resultados

O portfólio total de crédito chegou a US$ 39,4 bilhões, alta de 37% no ano. Os cartões representam US$ 26 bilhões, enquanto os empréstimos sem garantia somam US$ 10,3 bilhões e o crédito com garantia, US$ 3,1 bilhões.

O lucro cresceu 62% em um ano e atingiu US$ 1,9 bilhão (R$ 10 bilhões) no primeiro semestre de 2026. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 33% na primeira metade deste ano, aumento de 5 pontos percentuais em relação a junho 2025. No Itaú, a mesma métrica foi de 24,3%.

A inadimplência de pessoas físicas fechou julho em 7,8%, avanço de 1,1 ponto percentual em um ano, segundo o Banco Central. No Nubank, os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 6,9% das operações em junho, alta de 0,4 ponto percentual ante março.

Analistas do Citi afirmam que a qualidade do crédito permaneceu estável nos cartões, mas se deteriorou no crédito pessoal. Para o banco, o debate sobre a fintech passou a envolver a capacidade de manter expansão e rentabilidade em um ambiente de crédito normalizado.

Desenrola e custo operacional

O Novo Desenrola Brasil terminou em agosto. Segundo o Nubank, o programa reduziu em 5% o custo de crédito da instituição, com economia de US$ 85 milhões. A fintech respondeu por cerca de 29% dos contratos renegociados a prazo, conforme dados do FGO (Fundo de Garantia de Operações).

Foram mais de 656 mil renegociações parceladas, que somaram R$ 1,2 bilhão após os descontos. Thiago Batista, líder do departamento de análise e pesquisa de ações do UBS BB Investment Bank, disse que os principais públicos e produtos do programa coincidem com a base do Nubank.

Pedro Leduc, analista do Itaú BBA, afirmou que o modelo da fintech permite operar com inadimplência mais alta que a dos bancos tradicionais por causa do menor custo operacional. Em um empréstimo pessoal de R$ 3.000, o ponto de equilíbrio estimado seria alcançado com cerca de 28% de perdas, contra 20% em um banco de custo mais alto.

Expansão para novos públicos

O desafio, segundo Leduc, é crescer entre clientes de média e alta renda, segmento em que a vantagem de custo se reduz. O Nubank gasta R$ 20 por mês para oferecer um empréstimo, enquanto um banco tradicional gasta R$ 40. Em operações de R$ 50 mil, essa diferença tem impacto menor do que em empréstimos de até R$ 3.000.

A instituição também investe em produtos para clientes de maior renda. O Ultravioleta é voltado a pessoas que gastam mais de R$ 8.000 no cartão ou têm mais de R$ 50 mil investidos. O Croma atende quem gasta a partir de R$ 4.000 no cartão ou tem R$ 30 mil investidos.

No México, o Nubank prevê investimento total de US$ 4,2 bilhões até 2030. Nos Estados Unidos, iniciou operações neste mês com a ambição de alcançar entre 100 e 150 milhões de americanos. David Vélez, CEO do Nubank, reiterou que o Brasil continua como prioridade.

Analistas consultados pela Bloomberg esperam que a lucratividade caia para 31,5% até o fim de 2026 e para 30,8% em 2027. O BTG Pactual afirmou que o resultado do segundo trimestre foi positivo, mas que a instituição ainda precisará comprovar repetidamente sua capacidade de desempenho.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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