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Economia

Recuperações judiciais levam bancos a usar dados e ampliar prevenção

Instituições reforçam análises, monitoram empresas e negociam antes da recuperação judicial em meio ao avanço dos casos.

Recuperações judiciais levam bancos a usar dados e ampliar prevenção

O número de empresas em recuperação judicial chegou a 6.341 ao fim de junho, alta de 21,2% em 12 meses, segundo monitor da RGF Associados com dados da Justiça e da Receita Federal. Na recuperação extrajudicial, havia 346 empresas, crescimento de 38,4% no período.

A expansão dos casos levou bancos e escritórios de advocacia a reorganizar suas áreas de acompanhamento de empresas com dificuldades financeiras. Com os juros em dois dígitos, especialistas avaliam que o movimento não deve perder força tão cedo.

Monitoramento antes da recuperação

No Santander, a equipe dedicada a companhias com faturamento superior a R$ 80 milhões por ano passou de 13 pessoas, em 2025, para 33, em 2026. O grupo acompanha 1.500 empresas em dificuldades, incluindo aquelas submetidas a recuperações judicial e extrajudicial.

Thiago Franco Martins, superintendente executivo do banco, afirma que a ampliação foi planejada diante da expectativa de um cenário mais difícil até 2027. A instituição também elevou a qualificação do time e distribuiu profissionais por suas principais regionais, embora a maior parte continue em São Paulo. “A situação está quase generalizada”, disse Martins, ao mencionar empresas de saúde, incorporadoras, varejo e agronegócio.

As estruturas conhecidas como special situations, ou situações especiais, funcionam como a chamada UTI do crédito. É para essas áreas que são encaminhados clientes em atraso ou com problemas financeiros. Antes de uma recuperação judicial ou extrajudicial, os bancos podem tentar renegociar a dívida ou reduzir a linha de crédito. O financiamento adicional depende da qualidade das garantias oferecidas pela empresa, mas não há garantia de que a medida evitará o pedido.

Uma instituição financeira de grande porte, que não teve o nome divulgado, informou que manteve uma equipe de mais de cem pessoas voltada a empréstimos problemáticos. Em vez de ampliar o grupo, incorporou ferramentas de inteligência artificial e análise de dados para avaliar com mais precisão a situação das companhias.

O banco também acompanha o patrimônio pessoal dos controladores. A medida busca reunir elementos para possíveis processos de desconsideração da personalidade jurídica, com o objetivo de facilitar o ressarcimento de empréstimos não pagos.

Casos de maior volume

A recuperação da Raízen é a maior entre as que estão em andamento, com mais de R$ 61 bilhões, aprovada em julho deste ano. Braskem e Casas Bahia também apresentaram pedidos neste ano, com cerca de R$ 56 bilhões em dívidas e R$ 17,3 bilhões em aberto, respectivamente.

Para os bancos, as operações não devem produzir grande efeito porque as perdas já são esperadas. À medida que a situação financeira piora, as instituições provisionam valores, reduzem sua exposição, vendem carteiras e restringem novos empréstimos e financiamentos.

Sinais como a queda no volume de duplicatas, o aumento da antecipação de recebíveis, a diversificação de fornecedores e a blindagem patrimonial podem indicar deterioração antes dos atrasos. Em alguns casos, os bancos transferem passivos considerados indesejados para fundos de renda fixa ou outras instituições.

Com juros e inadimplência elevados, mesmo instituições capitalizadas ficam mais cautelosas na concessão de crédito. A combinação pode encarecer e limitar os financiamentos, enquanto bancos se articulam para buscar soluções antes de uma recuperação formal. Em situações como as de Raízen e Braskem, eles discutem entre si alternativas pré-recuperação.

Escritórios ampliam atuação

A Exon Partners, fundada por Otávio França em setembro de 2025, assessora credores e devedores. A empresa começou com um mandato de reestruturação e passou a ter sete, que somam R$ 4 bilhões em passivos. França prevê ampliar ao longo do ano a equipe, hoje formada por sete colaboradores. “A recuperação judicial é uma quimioterapia”, afirmou, ao comparar o procedimento a um tratamento que precisa ser iniciado quando necessário.

Os casos atuais não têm um único gatilho, como ocorreu na Lava Jato ou na queda do grupo X, de Eike Batista. Especialistas avaliam que os juros altos agravam as dificuldades, mas cada setor e cada negócio apresentam características próprias.

O Mattos Filho investiu na área de reestruturação de créditos durante o que Marcelo Ricupero, sócio de reestruturação e insolvência, classifica como pico histórico de trabalho. Victoria Villela Boacnin tornou-se sócia do escritório no fim de 2025, como parte da expansão da equipe.

As negociações sobre uma recuperação judicial costumam começar meses antes do pedido. Cada banco tem um comitê próprio, que leva de duas a três semanas para deliberar, enquanto o devedor avalia a proposta em relação às tratativas com os demais credores.

O SOB Advogados reforçou a senioridade da equipe de reestruturação de créditos e insolvência. De acordo com Gabriel de Orleans e Bragança, sócio do escritório, o trabalho inclui análise econômico-financeira, avaliação de valor e reestruturação de passivos. A viabilidade de um plano é discutida tanto no processo judicial quanto nas negociações entre as partes.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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