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Economia

Temperatura dos oceanos amplia riscos para alimentos, energia e áreas costeiras

Recordes de calor afetam pesca, turismo, recifes e usinas, enquanto cientistas projetam novas marcas até 2027.

Temperatura dos oceanos amplia riscos para alimentos, energia e áreas costeiras
Foto: AFP

O aquecimento dos oceanos já reduz a oferta de sardinhas em águas marroquinas, afeta recifes de coral visitados por turistas e pode interromper reatores nucleares. Na França, a proliferação de águas-vivas levou recentemente à paralisação de reatores, segundo os exemplos apresentados por cientistas.

A temperatura média dos oceanos, excluídas as regiões polares, chegou a 21,07 °C em agosto, igualando o recorde de março de 2024. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (10) pelo observatório europeu Copernicus. No hemisfério norte, o verão de 2026, entre junho e agosto, foi o mais quente desde 1993, conforme o Copernicus Marine Service.

O período foi influenciado pelo El Niño, descrito como especialmente intenso, além do aquecimento global associado à atividade humana. Para Zachary Labe, climatologista do Climate Central, a mudança climática é o fator de longo prazo por trás das temperaturas recordes. Ele afirmou que os oceanos passaram por uma sequência de “100 dias de calor recorde” para esta época do ano.

A projeção de Labe é que novos recordes sejam registrados na atmosfera e nos oceanos pelo menos até 2027. A estimativa considera dados, em parte preliminares, sobre a temperatura da superfície marítima reunidos pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Pressão sobre pesca e abastecimento

O calor altera a distribuição dos peixes e pode provocar o fechamento de áreas de pesca por doenças, morte de espécies ou deslocamento dos animais para águas mais frias. Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha, afirmou que os impactos podem gerar perdas de milhões ou bilhões de dólares para comunidades e elevar os preços dos alimentos.

Tom Pickerell, diretor do programa de oceanos do World Resources Institute (WRI), citou a queda das populações de sardinha em águas marroquinas mais quentes. O fenômeno levou à proibição das exportações e à escassez no mercado europeu.

O aquecimento também expande a água e contribui para a elevação do nível do mar, ameaçando nações insulares vulneráveis no Pacífico e no Índico. Ondas de calor marítimas enfraquecem corais, que absorvem carbono e são importantes para o ecossistema marinho. Chuvas torrenciais e ciclones também podem se intensificar.

Debate climático

Pickerell disse que o calor prolongado deve ser tratado como uma questão econômica, por afetar alimentos, turismo, infraestrutura energética, empresas e comunidades costeiras. O tema estará entre os principais da COP31, reunião climática da ONU prevista para novembro, em Antália, sob presidência conjunta da Turquia e da Austrália.

Claire Bergin, pesquisadora da Universidade de Maynooth, na Irlanda, afirmou que as respostas imediatas são limitadas e defendeu a aceleração das políticas de combate às mudanças climáticas. Para ela, a adaptação da vida marinha é mais complexa do que a instalação de ar-condicionado em terra.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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