Um confronto direto entre dois drones aquáticos foi registrado no mar Negro, em um episódio apresentado como o primeiro embate naval desse tipo. A Marinha ucraniana divulgou neste sábado (12) um vídeo sem data, no qual um bote-robô Sargan-3000, armado com uma metralhadora de 12,7 mm, enfrenta uma embarcação russa não identificada.
De acordo com a Marinha, o serviço secreto militar identificou o alvo e enviou o Sargan-3000 para a ação. As imagens indicam que o drone russo era acompanhado por um equipamento aéreo. A Rússia não comentou o caso. Um analista militar de Moscou afirmou que o vídeo era legítimo e que não havia registro anterior de uma batalha entre robôs desse tipo.
Drones no conflito
O Sargan-3000 foi apresentado em abril deste ano. Seu nome deriva da palavra ucraniana para peixe-agulha. A embarcação foi concebida como uma plataforma para ataques suicidas, depois que a Marinha da Ucrânia foi destruída no conflito.
O uso de drones aquáticos pela Ucrânia levou a Frota do Mar Negro a buscar portos mais distantes. Oryx, site que acompanha perdas militares comprovadas, contabiliza 25 navios e 1 submarino russos destruídos, incluindo casos provocados por mísseis e drones aéreos.
O episódio de maior repercussão foi o afundamento do cruzador Moskva, nau-capitânia da frota, por mísseis costeiros ucranianos no início da guerra. Drones aquáticos, submarinos e de superfície estão presentes no conflito desde seus primeiros momentos, mas o confronto registrado no vídeo acrescentou um duelo direto entre equipamentos que usam alguma forma de inteligência artificial.
Escalada no mar Negro
A Rússia desenvolveu seus próprios drones aquáticos. O primeiro sucesso atribuído a esses equipamentos ocorreu contra um navio mercante ucraniano no fim de 2025. Em 2024, os drones ganharam força como instrumento de guerra assimétrica.
Neste ano, o mar Negro permaneceu ativo nas operações. A campanha ucraniana de drones e mísseis de longa distância atingiu navios graneleiros russos que deixavam a região do rio Don. Em resposta, a Rússia intensificou ataques contra portos e embarcações no entorno de Odessa.
Estimativas preliminares apontam queda de 75% nas exportações de grãos da Ucrânia e de 60% nas da Rússia. Volodimir Zelenski propôs uma trégua específica para a região, mas não houve acordo.
A ofensiva também atingiu a infraestrutura logística e energética russa, incluindo refinarias. A Rússia vetou a exportação de diesel e gasolina e passou a importar combustíveis. A retaliação incluiu o aumento dos ataques com mísseis balísticos contra Kiev e outros centros urbanos, elevando a mortalidade de civis ao maior nível desde o primeiro mês da guerra.
Neste domingo, Donald Trump conversou por telefone com Zelenski. A repórteres na Irlanda, disse ter pedido que a Ucrânia parasse de atacar o diesel russo: "Há muitos outros alvos. Não ataque o diesel". Trump havia retomado a tentativa de mediação na semana passada, após reuniões de Steve Witkoff e Jared Kushner com Putin e Zelenski. Ainda não há data para a retomada das negociações, que provavelmente ocorreriam em Abu Dhabi.



