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Economia

Daniel Susskind defende educação com IA sem abandono de habilidades básicas

Autor propõe ensinar ética, limitações e uso crítico da inteligência artificial, além de recuperar práticas de formação no trabalho.

Daniel Susskind defende educação com IA sem abandono de habilidades básicas
Foto: Xinhua

A formação profissional precisará mudar à medida que a inteligência artificial assume tarefas antes associadas a trabalhadores altamente escolarizados. Para Daniel Susskind, a educação deve preparar as pessoas para usar a tecnologia sem abandonar leitura, escrita, matemática e análise científica.

No livro What Should My Children Do?: How to Flourish in the Age of AI — ainda não editado no Brasil —, Susskind afirma que o nível de educação formal exigido para uma tarefa deixou de ser uma referência confiável para avaliar se ela pode ser automatizada. A inteligência artificial generativa já consegue projetar edifícios, elaborar argumentos jurídicos e produzir histórias.

Formação profissional sob pressão

O autor considera que a expansão dos empregos de colarinho branco não deve ser tratada como garantida. Como tarefas de entrada podem ser automatizadas, ele sugere que essas profissões adotem formas de capacitação mais próximas da aprendizagem prática tradicional: acompanhar um profissional experiente desde o início e absorver, gradualmente, as nuances do trabalho.

Susskind também propõe empregar simulações com inteligência artificial para preparar profissionais em começo de carreira. A técnica, usada em áreas como engenharia e Fórmula 1, poderia ser aplicada à formação de contadores e gestores. A ideia é permitir que os estudantes pratiquem situações complexas antes de enfrentá-las no trabalho.

O especialista em trabalho e tecnologia, que ocupa cargos em Oxford e Stanford, defende ainda uma mudança no ensino superior. Em sua proposta, a inteligência artificial deve ocupar um terço de cada curso universitário. A sugestão se relaciona à experiência que ele relata ter tido ao ensinar economia em Oxford, quando destinava cerca de um terço do tempo à matemática para desenvolver competências aplicáveis a outras áreas.

Um currículo para o uso crítico

Para Susskind, saber operar a inteligência artificial será uma competência fundamental. O currículo sugerido por ele incluiria a história da área, seus pioneiros, questões éticas e as limitações específicas de cada modelo. O objetivo é formar usuários capazes de avaliar resultados, em vez de confiar neles automaticamente.

A educação também deveria acompanhar as pessoas ao longo da vida, com ferramentas capazes de tornar a aprendizagem mais personalizada. O autor, porém, sustenta que essa transformação não pode ocorrer à custa de competências básicas nem da capacidade de concentração.

Ele chama atenção para o uso intenso das redes sociais entre adolescentes de 13 a 17 anos. Na avaliação apresentada no livro, a distração atual se diferencia de problemas provocados por tecnologias anteriores porque faz parte do modelo de negócios das plataformas. Em 1840, quando a Inglaterra implantou o sistema postal universal, havia temor de interrupções causadas por 12 entregas de cartas por dia.

O que permanece humano

Susskind não recomenda orientar os jovens apenas para funções que a inteligência artificial ainda não consegue desempenhar. A velocidade de desenvolvimento da tecnologia tornaria essa estratégia impraticável e, para ele, reduziria o sentido da experiência humana.

O autor acredita que as pessoas continuarão preferindo atletas e músicos humanos, confiando decisões morais a juízes e políticos, valorizando objetos feitos à mão e reconhecendo a importância da empatia na saúde, na assistência social, na psicoterapia, na orientação espiritual e no ensino. O fato de seres humanos ainda disputarem torneios de xadrez, 30 anos depois de o Deep Blue derrotar Kasparov, é usado como exemplo dessa permanência.

Pai de três filhos, Susskind relata ter usado o ChatGPT com as crianças para criar uma história inspirada no estilo do Dr. Seuss. O episódio aparece como ilustração das possibilidades da ferramenta, ao lado de uma preocupação mais ampla com o futuro da infância e da educação.

Sua orientação final é concentrar a formação na identidade, e não apenas na ocupação profissional. A educação, nessa visão, deve contribuir para formar cidadãos melhores, além de trabalhadores capazes de utilizar a inteligência artificial.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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