A inflação medida pelo IPCA-15 avançou 0,7% em setembro, depois de registrar queda de 0,40% em agosto, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (25) pelo IBGE. O resultado ficou acima das projeções do mercado: a mediana era de 0,55% e o teto, de 0,66%, em levantamento da Bloomberg.
A alta foi a maior para setembro desde 2021, quando o índice subiu 1,14%. A reversão ocorreu após o fim de efeitos temporários que haviam contribuído para a deflação de agosto, entre eles o bônus de Itaipu, que reduziu a conta de luz por um período.
Para Júlio Barros, economista do Daycoval, o encerramento dos descontos na energia elétrica foi um dos principais pontos do resultado. Ele avalia que a mudança representa um desafio para o Banco Central, pois fatores que antes ajudavam a conter a inflação passaram a exercer pressão em sentido contrário.
Barros também afirmou que os núcleos de inflação ficaram em linha com a expectativa, mas continuam elevados e aumentaram na comparação interanual. A previsão do economista é de manutenção da taxa básica de juros na próxima reunião do BC, marcada para os dias 3 e 4 de novembro.
Dólar e juros no exterior
O dólar subia 0,08% às 10h03, cotado a R$ 5,198. No exterior, o petróleo permanecia próximo de US$ 105, embora recuasse 1,57%, em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e à intensificação das tensões no Oriente Médio.
A permanência da commodity em níveis elevados amplia a preocupação com a inflação e sustenta a perspectiva de juros altos por mais tempo. Na véspera (24), a taxa da Treasury de dez anos chegou a 5,195%, o maior patamar desde 2007. O título de 30 anos encerrou o dia em 5,479%, máxima desde 2004.
Às 10h06 desta sexta-feira (25), o rendimento da Treasury de dez anos estava em 5,177%, com alta de 0,27%. Dirigentes do Fed, o banco central americano, têm reforçado as preocupações com a inflação e os efeitos dos choques de oferta. O índice DXY, que acompanha o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,29%.
Na véspera (24), o dólar fechou em alta de 0,48%, a R$ 5,193. O Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,99%, aos 183.965 pontos.
Corrida presidencial
O mercado também acompanha pesquisas sobre a eleição presidencial de 2026. No primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro, conforme a última pesquisa Datafolha, divulgada na véspera (24).
No segundo turno, Lula tem 47% e Flávio, 45%. Na semana anterior, os percentuais eram de 46% e 44%, respectivamente. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No primeiro turno, Lula passou de 39% para 40%, enquanto Flávio manteve 36%. A diferença entre os dois voltou a quatro pontos, depois de ter caído de 10 para 3 pontos ao longo de quatro meses, embora os resultados permaneçam dentro da margem de erro.


