LONDRES — A Novo informou que pretende ampliar seu portfólio de medicamentos e entrar em novas áreas terapêuticas depois de reduzir seu quadro de funcionários em 13 mil pessoas no último ano. A farmacêutica prevê lançar cinco produtos até 2030 e alcançar vendas combinadas de 150 bilhões de coroas dinamarquesas com medicamentos em desenvolvimento até 2035.
O plano foi apresentado pelo CEO Mike Doustdar a investidores. A empresa, dona do Ozempic e do Wegovy, registrou vendas de 309 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 243,89 bilhões) em 2025. A companhia enfrenta a concorrência da Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, no mercado de medicamentos contra a obesidade.
A redução anunciada inclui 9.000 postos eliminados no ano passado, dos quais 5.000 ficavam na Dinamarca. Na ocasião, a Novo tinha um quadro total de 78,4 mil funcionários. Outras 4.000 pessoas deixaram a empresa ao longo do último ano, conforme apresentação aos investidores. Um porta-voz afirmou que a maioria das saídas ocorreu por rotatividade natural e pela decisão de não preencher vagas abertas.
Novas áreas e aquisições
A Novo pretende continuar investindo em tratamentos para obesidade, diabetes e distúrbios sanguíneos, além de avançar em saúde hepática e cardiovascular. Doustdar afirmou que a companhia seria "uma empresa maior e mais diversificada até 2035".
A estratégia também inclui acordos e aquisições para reforçar o portfólio em desenvolvimento. Segundo o CEO, a empresa avaliará primeiro a qualidade dos ativos, e não o tamanho dos negócios.
As ações da Novo caíram até 7% na manhã desta segunda-feira, depois que a empresa apresentou os planos de recuperação. Na semana passada, a companhia deixou de usar "Nordisk" no nome adotado no dia a dia.
Pressão sobre os medicamentos
A semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, perdeu a proteção de patentes na Índia, no Brasil, na Turquia e na China neste ano. A exclusividade deve terminar na Europa e nos Estados Unidos a partir do início da década de 2030.
A empresa também registrou reveses recentes em testes clínicos, incluindo o fracasso, em fase avançada, de um medicamento para reduzir o risco de ataques cardíacos. Ainda assim, a Novo lidera a Eli Lilly nas vendas de comprimidos para emagrecimento e deve lançar o CagriSema no próximo ano.
Um novo estudo divulgado nesta segunda-feira mostrou que uma dose de 1 mg do CagriSema produziu perda média de peso de 12,4% em pacientes com diabetes, contra 9,1% para 5 mg de tirzepatida, principal ingrediente dos medicamentos para emagrecimento da Lilly. Martin Holst Lange, diretor científico da Novo, disse que a divisão planeja levar até 15 estudos por ano à fase de testes clínicos em humanos a partir do próximo ano.


