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Economia

Próximo governo terá de enfrentar dívida alta, juros e perda de ritmo da economia

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorrerá em meio a pressão sobre as contas públicas, endividamento elevado e desaceleração do consumo.

Próximo governo terá de enfrentar dívida alta, juros e perda de ritmo da economia
Foto: Pablo Porciuncula/AFP

O próximo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), assumirá em 2027 com as contas públicas pressionadas, juros altos, atividade econômica em desaceleração e endividamento recorde de empresas e consumidores.

A política fiscal é apontada por economistas como o principal desafio. A dívida bruta do Brasil chegou a quase 83% do PIB, maior nível em cinco anos. A contenção desse indicador é considerada necessária para que a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, continue em queda.

O governo Lula projeta a necessidade de rever ao menos R$ 53,7 bilhões em gastos obrigatórios até 2030 para manter as demais políticas públicas no patamar atual, conforme as projeções do PLOA de 2027. Durante a campanha, a equipe de Flávio Bolsonaro defendeu cortes equivalentes a 1,5% do PIB e um novo teto de gastos baseado na relação entre dívida e PIB, sem detalhar como alcançaria o resultado.

Também foram discutidas propostas para retirar despesas de saúde e educação dos percentuais mínimos constitucionais. A equipe do candidato avaliou ainda desvincular a valorização do salário mínimo dos benefícios da Previdência, mas Flávio negou que essa mudança estivesse em análise após a repercussão negativa.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou a representantes da Faria Lima que poderiam ser adotados mecanismos mais rígidos nas regras fiscais e gatilhos do arcabouço para conter o avanço das despesas obrigatórias. Lula, por sua vez, afirmou em comício que era preciso "parar com essa babaquice de fazer superávit", mas disse a empresários que controlar as contas públicas é obrigação de qualquer governo.

Economia e endividamento

A atividade econômica também deve perder força. As projeções do Boletim Focus apontam alta de 1,86% do PIB em 2026 e de 1,41% no ano seguinte. O consumo, que avançou em média 3,3% nos últimos cinco anos, deve crescer cerca de 1% neste ano e no próximo. No segundo trimestre, o consumo das famílias recuou 0,4% em relação aos primeiros três meses do ano, segundo o IBGE.

A Serasa registra 83,9 milhões de inadimplentes no país. No crédito livre, a inadimplência das famílias atingiu 8% em agosto, novo recorde conforme o Banco Central. Economistas do BTG Pactual e do FGV Ibre avaliam que o endividamento pode reduzir o consumo no ano que vem, especialmente porque parte das dívidas está concentrada em linhas de crédito caras.

O governo Lula propõe aperfeiçoar as regras de oferta e de responsabilidade na concessão de crédito. No programa de Flávio Bolsonaro, o programa Ganha, Ganha é apresentado como alternativa, com pontuação positiva para quem paga contas em dia e conclui cursos, facilitando o acesso a juros menores.

Empresas e mercado de trabalho

As empresas também enfrentam juros altos e crédito restrito. O número de companhias em recuperação judicial passou de 3.823 para 6.341 entre o segundo trimestre de 2023 e o segundo trimestre deste ano, alta de 65,8%, segundo a consultoria RGF. O crescimento foi puxado pelos setores de agronegócio, transporte e logística e varejo.

A taxa de desemprego deve aumentar no ano que vem, embora a expectativa seja de manutenção em nível historicamente baixo. Entre os desafios estão a informalidade próxima de 40% da mão de obra, a expansão do trabalho por aplicativos, a pejotização, os efeitos da inteligência artificial sobre vagas de entrada, a pressão sobre a Previdência causada pelo aumento da longevidade e a distância entre a formação profissional e as necessidades do mercado.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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